Síria apresenta novo plano para remoção de armas químicas

País apresentou um plano de 100 dias para a remoção de suas armas químicas, após não cumprir o prazo final de 5 de fevereiro

Nações Unidas – A Síria apresentou um plano de 100 dias para a remoção de suas armas químicas, após não cumprir o prazo final de 5 de fevereiro, mas a missão internacional que supervisiona a operação acredita que isso possa ser feito em um período mais curto, disseram diplomatas nesta sexta-feira.

O comitê executivo da Organização para a Proibição das Armas Químicas (Opaq) se reuniu nesta sexta-feira em Haia para discutir a missão conjunta da Opaq e Organização das Nações Unidas em meio à crescente frustração internacional pelo fato de a Síria não ter cumprido seus compromissos.

A Síria não cumpriu o prazo final de 5 de fevereiro estipulado pela Opaq para remover todas as substâncias químicas e precursores declarados pelo país, para que pudessem ser destruídos até 30 de junho.

“O plano sírio de 100 dias para a remoção dos químicos, sobre o qual fomos informados não é adequado”, disse à Opaq o chefe do departamento contra a proliferação no Ministério de Relações Exteriores britânico, Philip Hall, de acordo com uma cópia do comunicado.

“Nós fazemos agora um chamado às autoridades sírias para que aceitem as propostas submetidas pelo Grupo de Planejamento Operacional, que estabelece a remoção em um período muito mais curto, sem comprometer a segurança”, disse ele.

Um alto diplomata da ONU, falando sob condição de anonimato, afirmou que a missão internacional acredita que a operação possa ser realizada até antes do fim de março e acrescentou que o prazo proposto pela Síria, de término no fim de maio, não deixará tempo suficiente para que os químicos sejam destruídos antes do fim de junho.

A Opaq não quis fazer comentários sobre a proposta síria.

Os Estados Unidos enviaram o MV Cape Ray, um navio com equipamentos especiais para neutralizar os piores materiais químicos da Síria no mar, e disseram que vão precisar de 90 dias para a completa eliminação.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, concordou em destruir as armas químicas depois da indignação mundial por causa de um ataque com gás sarin em agosto, o mais letal do mundo com armas químicas nos últimos 25 anos. Esse ataque levou os EUA a ameaçarem lançar bombardeios militares contra o país, o que foi evitado depois do compromisso de Assad de se desfazer das armas químicas.

A chefe de desarmamento da ONU, Angela Kane, disse na quinta-feira em Nova York que qualquer novo plano irá requerer o endosso da Opaq e do Conselho de Segurança da ONU.

O acordo pelo qual a Síria concordou em remover as armas químicas, mediado pelos EUA e a Rússia, foi objeto de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, em setembro.