Sindicatos fazem novos protestos contra reforma trabalhista

Cerca de 600 ônibus tinham sido fretados pelas centrais sindicais para levar milhares de pessoas até Paris para a manifestação

Paris – Sindicatos que se opõe à reforma trabalhista proposta pelo governo da França organizam nesta terça-feira a nona rodada de manifestações, com objetivo de os protestos de hoje sejam os maiores desde o início do movimento há três meses para dar um novo impulso a greves setoriais.

Cerca de 600 ônibus tinham sido fretados pelas centrais sindicais para levar milhares de pessoas até Paris para a manifestação, que começou às 13h15 locais (8h15 em Brasília) na Praça da Itália. A passeata irá atravessar a cidade até o Palácio dos Inválidos.

O secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT), Philippe Martínez, líder do protesto, afirmou recentemente que a mobilização de hoje será “enorme”, maior do que a realizada no dia 31 de março, a principal contra a reforma trabalhista até agora, que reuniu 1,2 milhão de pessoas, segundo os sindicatos.

Em paralelo às manifestações, foram registradas hoje novas interrupções nas ferrovias, mas com menor intensidade.

De acordo com a direção da Sociedade Nacional de Ferrovias, apenas 7,3% dos trabalhadores estão em greve, número superior aos 4,6% de ontem.

Outros setores participaram das paralisações hoje, em particular os taxistas – houve concentrações em pontos estratégicos da capital -, além de creches e na coleta e tratamento de lixo.

A Torre Eiffel e Palácio de Versalhes fecharam suas portas pelas greves contra o projeto de lei. A proposta feita pela ministra do Trabalho, Myriam El Khomri, iniciou ontem a tramitação no Senado.

Há uma convocação de greve de um sindicato dos controladores aéreos, mas a direção da Aviação Civil (DGAC) afirmou que não será preciso cancelar voos, apesar de não descartar atrasos.

Em paralelo, a Air France viveu hoje o quarto dia consecutivo de greve de seus pilotos, que provocou o cancelamento de 20% dos voos, mas por razões internas da categoria, não pela reforma trabalhista.

O aspecto mais polêmico do texto para os sindicatos é o artigo 2, que dá prioridade aos acordos feitos entre empresas e trabalhadores sobre os convênios coletivos.