Senado inicia audiências para ratificar gabinete de Trump

Os legisladores tiveram uma audiência com Jeff Sessions, designado como procurador-geral, e com Johan Kelly, futuro secretário de Segurança Doméstica

O Senado americano iniciou nesta terça-feira as audiências para ratificar no cargo os membros do gabinete de Donald Trump, em meio a preocupações de que as pessoas designadas pelo presidente eleito não tenham sido suficientemente investigadas sobre assuntos éticos ou financeiros.

Dez dias antes de Trump assumir, os legisladores tiveram uma audiência com o senador Jeff Sessions, do Alabama, designado como procurador-geral, e com o general reformado Johan Kelly, nomeado para ocupar o cargo de secretário de Segurança Doméstica.

A audiência de Sessions foi interrompida por manifestantes vestidos com capas e capuzes brancos, em alusão à organização supremacista Klu Klux Klan, dramatizando as preocupações sobre seu histórico no campo dos direitos civis.

Os manifestantes, vários deles do grupo de defesa dos direitos humanos Code Pink, agitavam cartazes que diziam: “Acabe com o racismo, pare Sessions” e “Acabe com o ódio, pare Sessions”.

O escolhido de Donald Trump para assumir o posto de maior autoridade em aplicação da lei nos Estados Unidos é acusado de ter feito comentários racistas sobre afro-americanos e direitos civis no início de sua vida profissional.

Ao contrário de Sessions, Kelly teve uma recepção bem mais amistosa durante os vários dias de audiência privada com membros republicanos e democratas do Comitê de Segurança Doméstica.

Enquanto isso, Trump não demonstrava qualquer sinal de preocupação com a recepção que seus nomeados terão no Capitólio.

“A confirmação está transcorrendo bem”, disse o presidente eleito a jornalistas na segunda-feira, em uma aparição surpresa no lobby da Torre Trump, QG de sua companhia em Nova York.

“Eu acho que todos serão aprovados”, antecipou.

Vários designados têm audiências previstas esta semana, três deles na quarta, incluindo Rex Tillerson, o magnata do petróleo que Trump escolheu como secretário de Estado.

Os democratas, no entanto, prometem não deixar o Congresso simplesmente passar recibo para as escolhas de Trump sem lutar.

Sessions, em particular, despertou uma feroz oposição entre os liberais, preocupados com sua visão conservadora sobre temas variados, do aborto aos direitos civis.

“Ele denunciou o [caso] Roe versus Wade, que garante o direito de uma mulher escolher. Em outros temas, como as liberdades religiosas, tortura, tomou posições que eu acho fora do senso comum, e claro, sua oposição constante a qualquer tipo de reforma migratória”, disse na noite de segunda-feira à emissora MSNBC o senador democrata Richard Blumenthal, membro do Comitê Judiciário.

Cory Booker, outro senador democrata, chegou a ponto de dizer que testemunharia contra Sessions durante a audiência, uma ruptura com muitas décadas de protocolo na Câmara alta.

“Estou quebrando uma tradição bem longa do Senado”, disse Booker à MSNBC, acrescentando que Sessions “tem a postura e o posicionamento que eu penso representarem um perigo real para o nosso país”.

Blumenthal explicou que uma medida para saber se um indicado à procurador-geral é a escolha certa para o cargo é saber se a pessoa estaria disposta a se posicionar contra o próprio presidente em defesa da Justiça.

“Nossa obrigação constitucional é fazer uma escolha com base em se este indivíduo será um defensor dos direitos e liberdades constitucionais e será capaz de se posicionar ante Donald Trump, prestes a ser presidente”, afirmou.

Enquanto isso, o líder democrata no Senado, Chuck Schumer, afirmou que os legisladores na Câmara alta, controlada pelos republicanos, lotaram o agenda de audiências, tornando o escrutínio mais desafiador do que o usual.

“A agenda de audiências está tão emperrada neste momento que algumas importantes, de alto perfil, vão cair no mesmo dia”, disse Schumer no Senado.

Muitos dos indicados de Trump trazem à tona questões de conflitos de interesse, explicou Schumer.

“Muitos deles têm uma origem de enorme riqueza. Muitos têm grandes grande quantidade de ações e muito poucos têm experiência na política. Portanto, eles nunca foram testados em algo semelhante a um posto de gabinete”, disse o democrata de Nova York.

“O que costumava ser uma prática padrão para a grande maioria dos nomeados – a conclusão de uma revisão ética preliminar antes de sua indicação – foi deixado de lado para a grande maioria dos indicados do presidente eleito Trump”, resumiu Schumer.

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