Secretário dos EUA descarta colaboração militar com a Rússia

Comentários são uma indicação forte do governo Trump de que uma cooperação entre militares contra o EI na Síria seria improvável

Bruxelas – O secretário da Defesa dos Estados Unidos disse nesta quinta-feira não ver possibilidade de colaboração militar com a Rússia, em um golpe às esperanças russas de retomar os laços com os EUA após a eleição de Donald Trump.

As comentários são talvez a indicação mais forte do governo Trump até agora de que as perspectivas para uma cooperação significativa entre militares norte-americanos e russos contra o Estado Islâmico na Síria é improvável no curto prazo.

Durante a sua campanha eleitoral, Trump repetidas vezes sugeriu a possibilidade de uma ação conjunta contra militantes do Estado islâmico.

“Não estamos em uma posição no momento para colaborar na área militar. Mas nossos líderes políticos irão se empenhar e tentar encontrar um senso comum”, disse Jim Mattis a repórteres após conversas na sede da Otan, em Bruxelas, mencionando também preocupações dos EUA com a interferência russa em eleições democráticas.

Perguntado se acredita na interferência da Rússia nas eleições presidenciais norte-americanas, Mattis disse: “No momento, eu só digo que há muito pouca dúvida de que ou eles interferiram ou tentaram interferir em um número de eleições nas democracias”. Ele não citou explicitamente as eleições norte-americanas.

Os comentários de Mattis ocorrem pouco depois de o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, expressar disposição para retomar a cooperação com o Pentágono e no mesmo dia em que o presidente russo, Vladimir Putin, disse ser do interesse dos dois países restaurar comunicações entre agências da inteligência.

“É do interesse de todos retomar diálogos entre as agências da inteligência dos Estados Unidos e outros membros da Otan”, disse Putin, falando ao Serviço de Segurança Federal da Rússia”.

“É absolutamente claro que nesta área de antiterrorismo todos os governos e grupos internacionais relevantes devem trabalhar juntos”.

Mattis disse durante sessão a portas fechadas da Otan na quarta-feira que a aliança precisa ser realista sobre as chances de retomar uma relação cooperativa com Moscou e garantir que seus diplomatas possam “negociar em posição de força”, enquanto pediu por um aumento dos gastos militares.

Os comentários geraram resposta do ministro russo Sergei Shoigu.

“Tentativas de construir um diálogo com a Rússia a partir de uma posição de força serão fúteis”, disse Shoigu segundo a agência de notícias Tass.

Mattis respondeu: “Não tenho necessidade alguma de responder ao comunicado russo. A Otan sempre apoiou a força militar e a proteção das democracias e as liberdades que queremos passar para nossas crianças”.

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