Riad responsabiliza regime sírio por suspensão das conversas

As conversas de paz para a Síria foram suspensas ontem pela falta de avanços e a impossibilidade de obter do governo de Damasco um gesto humanitário

Riad – O ministro saudita das Relações Exteriores, Adel al Yubeir, disse nesta quinta-feira que a delegação do regime sírio em Genebra mostrou “falta de seriedade” nas conversas de paz, ao responsabilizar Damasco pela suspensão das negociações.

“Esta é a causa da suspensão das negociações em Genebra porque não colaborou com o enviado especial da ONU (Staffan de Mistura)”, garantiu Al Yubeir em entrevista coletiva conjunta com seu colega alemão, Frank-Walter Steinmeier.

As conversas de paz para a Síria foram suspensas ontem até o dia 25 pela falta de avanços e a impossibilidade de obter do governo de Damasco um gesto humanitário, como exigia a oposição.

“O regime sírio não é sério e sua delegação atuou com demora e sem disposição”, ressaltou Al Yubeir, cujo país acolheu as reuniões da delegação da oposição síria prévias à de Genebra.

O ministro saudita considerou também que “a escalada das operações militares russas na Síria tem dois significados: provocar a oposição síria e conseguir o máximo de lucro (bélicas) antes de (concordar) um cessar-fogo”.

Já Steinmeier disse que analisou com Al Yobeir o conflito sírio e a suspensão das negociações de paz de Genebra.

O chefe da diplomacia alemã também responsabilizou o regime sírio da cessação das conversas de Genebra e disse que “o avanço do Exército sírio na província de Aleppo prejudicou as negociações”.

No entanto, garantiu que essas negociações são difíceis, mas que há esperança.

Steinmeier afirmou que a próxima conferência de segurança em Munique será “a oportunidade para adotar medidas conjuntas com setores regionais”.

Sobre a suspensão da negociações, De Mistura disse ontem que trata-se de “uma pausa temporária”, e não um fracasso.

A delegação da oposição síria nas negociações de paz advertiu que não retornará a Genebra para seguir participando deste processo a menos que veja avanços humanitários concretos.