Putin e Merkel: novos territórios

A chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente russo, Vladimir Putin, estão numa corrida por territórios. Ela vai hoje à Turquia discutir acordos e interesses europeus com o presidente Recep Tayyip Erdogan. Ele vai à Hungria, em uma rara viagem à União Europeia, discutir os próprios interesses frente ao bloco.

Merkel, que não vai ao país desde a tentativa de golpe de Estado que Erdogan sofreu em julho do ano passado, chega à Turquia com muitos questionamentos. Uma das principais preocupações da alemã é o tom de autoritarismo turco — mais de 40.000 militares e civis foram encarcerados, incluindo dissidentes políticos, jornalistas e políticos curdos.

A Turquia se comprometeu a diminuir o número de refugiados que cruzam o Mar Egeu, uma travessia considerada perigosa, em troca de passagem livre para os turcos na Europa e ajuda financeira. Com os recentes conflitos imigratórios no ocidente e o surgimento de uma direita europeia que ameaça o equilíbrio do bloco, uma relação harmônica com a Turquia virou uma necessidade para Merkel, candidata à reeleição. 

Já Putin chega a Budapeste pela primeira vez desde 2015. Putin precisa do presidente Viktor Orbán muito mais do que se possa imaginar. Com o agravamento da crise de refugiados nos últimos dois anos, Orbán se posicionou como uma voz à direita e fez frente aos líderes liberais mais tradicionais da França e Alemanha. É a esperança de Putin para erguer pelo menos alguma parte das sanções econômicas que a União Europeia impôs sobre a Rússia após a anexação da Crimeia em 2014. Budapeste é uma das poucas capitais europeias onde Putin tem algum tipo de entrada.

Embora por motivos distintos, as viagens dos dois líderes guarda certa semelhança. Merkel busca ampliar o apoio ao bloco europeu em um momento que a erosão política é mais crítica. Depois de Brexit e do surgimento de líderes populistas, como Donald Trump, o fantasma do nacionalismo ronda o continente. Putin busca retomar o crescimento econômico da nação e ampliar seu expansionismo sobre o ocidente. Alemanha e Rússia são os principais nomes de dois movimentos antagônicos na Europa. Esta quinta-feira, neste contexto, pode ser decisiva.