Primeiro debate de socialistas na França foca em pessimismo

Pesquisas realizadas nos últimos dois anos e meio não apontam um representante do partido socialista no segundo turno das eleições presidenciais de maio

Os sete candidatos socialistas à eleição presidencial francesa debateram na noite desta quinta-feira como enfrentar o pessimismo e mobilizar uma esquerda desencantada e com poucas possibilidades de chegar ao segundo turno.

O candidato melhor situado entre os socialistas, o ex-primeiro-ministro Manuel Valls defendeu sua gestão e disse que está “orgulhoso por ter servido aos franceses em um período muito complicado”.

Valls, que se lançou na campanha após abandonar o governo de François Hollande, espera obter a indicação para representar a esquerda devido a sua experiencia como premier, mas seus comícios têm reunido apenas algumas centenas de pessoas.

“Quero dizer sinceramente que aqui não há adversários, muito menos inimigos, viemos aqui para debater diante dos franceses, para convencê-los de que a esquerda ainda é viável”, disse Valls durante o debate.

O ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg também se manifestou neste sentido e declarou que o verdadeiro inimigo “é o fatalismo”.

Mas Montebourg, que abandonou o governo em agosto de 2014 após criticar a virada à direita do governo Hollande, declarou que a atual administração “é difícil de defender”.

Benoît Hamon, outro ex-ministro de Hollande, prometeu “fazer todo o possível para congregar a esquerda”, e voltou a defender sua proposta de criação de uma renda básica universal de 700 euros.

Valls criticou a proposta afirmando que ela promoverá uma “sociedade de assistencialismo e do ‘farniente'”.

Montebourg também rejeitou a ideia, que exigiria um aumento de 50% nos impostos.

Os outros quatro candidatos no debate foram o ex-ministro da Educação Vincent Peillon, oecologista François de Rugy, o ex-eurodeputado Jean-Luc Bennahmias e a candidata da esquerda radical Sylvia Pinel.

As pesquisas realizadas nos últimos dois anos e meio não apontam um representante do partido socialista no segundo turno das eleições presidenciais de maio e, de acordo com enquetes mais recentes, a eleição promete ser um duelo apertado entre a direita e a extrema direita.

Depois de cinco anos de mandato de François Hollande, marcados por uma impopularidade recorde, a esquerda entra neste ciclo eleitoral fraturada.

Além de seus adversários de direita (François Fillon) e da Frente Nacional (Marine Le Pen), o vencedor das primárias terá de enfrentar dois adversários de seu próprio campo que decidiram se lançar sozinhos: o líder da esquerda radical, Jean-Luc Mélenchon, e o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, de 38 anos, cujos comícios têm atraído multidões.

O desafio para o Partido Socialista, de acordo com o chefe do instituto Ifop Frederic Dabi, é “uma questão de mobilização” de um eleitorado decepcionado com a esquerda.

A direita, que organizou pela primeira vez primárias para nomear o seu candidato, atraiu em novembro de 4,4 milhões de eleitores, mas o PS ficaria satisfeito em repetir seu desempenho de 2011 (2,9 milhões de eleitores).

De acordo com uma pesquisa publicada no domingo, Valls, de 54 anos, estaria muito à frente dos demais concorrentes no primeiro turno, mas sua vitória não é garantida no segundo.

Entre as questões que dividem os candidatos, há a recente lei sobre uma reforma da lei trabalhista, símbolo do governo Valls, que Hamon e Montebourg reclamam uma revogação pura e simples.

Sobre a Europa, se os candidatos compartilham o mesmo diagnóstico de uma “crise” da UE, diferem radicalmente sobre a estratégia para iniciar reformas, como sobre o respeito ou não dos compromissos de déficit orçamental da França.