Preservar o clima é impossível sem uso de energia nuclear, diz AIE

Segundo o braço energético da OCDE, o mundo não poderá abandonar a energia atômica se quiser continuar aumentando o consumo energético

Paris – O mundo não poderá abandonar a energia nuclear se quiser aumentar o consumo de energia e, ao mesmo tempo, preservar o clima, afirmou nesta quarta-feira a Agência Internacional de Energia (AIE) em seu relatório anual.

A AIE, braço energético da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), faz um alerta para países como a Alemanha e a Bélgica que, após a catástrofe nuclear de Fukusima em março, planejam reduzir a produção de energia de origem nuclear.

A capacidade de produção nuclear mundial poderá cair até 15% em 2035, caso nenhuma nova usina seja construída nos países da OCDE, enquanto os países não-membros operarem com a metade da capacidade e se a durabilidade das usinas for reduzida em 5 anos, calcula a agência.

A energia nuclear, que representa 13% da produção mundial, pode, portanto, diminuir para 7%.

Ao abrir mão deste tipo de energia que não produz CO2, os Estados vão, provavelmente, recorrer ao carvão e ao gás, muito mais poluentes.

Além disso, sem a produção atômica a independência energética dos países produtores será prejudicada, já que as fontes de produção energética serão menos diversificadas, acredita a AIE.


O custo da energia aumentará vertiginosamente em razão do aumento da demanda de energias fósseis. A AIE prevê que o preço do barril de petróleo chegará a 120 dólares em 2035, enquanto o consumo aumentará 14%.

Segundo a AIE, o mundo gasta aproximadamente 1,5 bilhão de dólares a cada ano, quase o montante da dívida da França. Para responder ao aumento da demanda mundial será necessário investir, dentro de 25 anos, 38 bilhões de dólares.

O consumo de energia (petróleo, nuclear e energias renováveis) continuará a aumentar cerca de um terço. Impulsionado pelos países não-membros da OCDE, que representam 90% da demanda — 30% só na China –, deve alcançar até 2035 16,9 bilhões de toneladas de petróleo.

“A China consolida seu lugar de primeiro país consumidor de energia, mesmo que seu consumo por habitante não chegue nem a metade do americano”, ressalta a AIE.

As energias fósseis (petróleo, gás natural e carvão) ainda são dominantes, embora a tendência seja diminuir de 81% em 2009 para 75% até 2035 devido ao aumento dos preços e os esforços dos governos em incentivar fontes alternativas de energia.

Apesar das incertezas econômicas ligadas à crise da dívida pública europeia, a AIE acredita que a desaceleração do crescimento mundial em curto prazo afeta apenas marginalmente a tendência ascendente do consumo a longo prazo.

Proporcionalmente ao consumo, as emissões de CO2 vão aumentar em 20%, correndo o risco de não ser mais possível controlar o aumento da temperatura do planeta.