Polícia investiga roubo de documentos médicos de Schumacher

Investigação se concentra agora em uma empresa de helicópteros na Suíça

Lyon – A investigação sobre o roubo dos registros médicos de Michael Schumacher se concentra agora em uma empresa de helicópteros na Suíça, onde a polícia apreendeu o computador utilizado para tentar vender o documento para vários meios de comunicação por 50.000 euros.

“O endereço IP foi identificado em uma empresa de helicópteros do cantão de Zurique”, como parte da investigação da polícia de Grenoble, em colaboração com as de Alemanha e Suíça, indicou nesta segunda-feira a promotoria de Grenoble.

Esta empresa, chamada Rega, teria sido contratada para transferir em 16 de junho o heptacampeão mundial de Fórmula 1 de Grenoble para Lausanne (Suíça) e, portanto, teria recebido uma cópia do relatório médico preparado para a ocasião.

Com sede em Zurique, a Rega negou em um comunicado “ter sido procurada por autoridades” e alegou “não ter conhecimento de investigações desse tipo em curso”.

A empresa apenas confirmou ter “dado seu parecer médico e organizado o transporte de ambulância” entre Grenoble e Lausanne. Por isso, teria recebido um “relatório médico” para dar o parecer, mas explicou que “havia sido informada pela mídia de que esses dados foram colocados à venda”.

“De acordo com as informações que temos neste momento, o segredo médico foi preservado”, completou.

O arquivo roubado, mascarado sob vários pseudônimos – sendo que o último era “Jeremy Martin” -, foi oferecido por e-mail para vários veículos da imprensa francesa, alemã e suíça, em troca de 60.000 francos suíços (49.300 €).

O documento, de 12 páginas, foi uma síntese do caso redigida pelo médico de Grenoble para orientar seus colegas do hospital de Lausanne. No entanto, este não seria o relatório final, mas apenas um rascunho, que passou várias horas em uma lata de lixo hospitalar.

Ladrão fã de Kurosawa

O escândalo tinha sido revelado em junho pelo jornal alemão Bild, que teve jornalistas abordados por uma pessoa usando o pseudônimo de “Kamegusha”, nome de um filme do diretor japonês Akira Kurosawa premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1980.

Os repórteres alertaram logo a porta-voz de Schumacher, Sabine Kehm, que recebeu deles trechos do relatório enviado pelo ladrão.

O Hospital de Grenoble apresentou em seguida uma queixa à polícia por roubo e organizou uma investigação interna, que não revelou intrusão no seu sistema de informática.

Enquanto isso, os policiais ouviram várias pessoas suspeitas de terem tido acesso ao relatório.

De acordo com uma fonte ligada à investigação, os investigadores tinham identificado logo no início de junho o endereço IP de Zurique que teria sido usado pelo ladrão para enviar o e-mail, mas preferiram agir com cautela, alegando que esse endereço “poderia ter sido usado à distância”.

Michael Schumacher ficou internado em Grenoble por seis meses, depois de um grave acidente de esqui, em dezembro de 2013, em Méribel, nos Alpes Franceses.

O ex-piloto, de 45 anos, foi levado para Lausanne de forma discreta. Sua porta-voz garantiu que ele não está mais em coma. A família do heptacampeão de Fórmula 1 mora em Gland, perto de Lausanne.