Parlamento Europeu apoia ratificação de acordo de Paris

"Com a aprovação da ratificação do acordo de Paris por parte do parlamento Europeu, acabamos com o último obstáculo", assegura a Comissão Europeia em comunicado

Estrasburgo – O parlamento Europeu (PE) apoiou nesta terça-feira a ratificação do acordo de Paris contra a mudança climática, abrindo via para que a União Europeia (UE) ratifique também e permita a entrada em vigor do primeiro pacto climático mundial.

“O parlamento Europeu mostrou sua aprovação a este acordo”, anunciou o presidente da instituição, Martin Schulz.

“Com a aprovação da ratificação do acordo de Paris por parte do parlamento Europeu, acabamos com o último obstáculo. O processo político para que a União Europeia ratifique o acordo terminou”, assegurou a Comissão Europeia em comunicado.

Agora, espera-se que os Estados-membros -representados no Conselho da União Europeia- adotem formalmente o acordo e finalizem assim a ratificação, o que é previsto de maneira iminente, inclusive hoje mesmo.

Se for assim, só faltaria a UE depositar os instrumentos de ratificação na sede da ONU de Nova York ou que entregar ao secretário-geral da organização, Ban Kim-moon, que hoje pediu à UE que “faça história” com o acordo, durante uma sessão solene no plenário do parlamento Europeu.

Uma vez que a UE formalize a ratificação, o acordo terá alcançado o apoio necessário para entrar em vigor para a próxima cúpula climática (a COP22), que será realizada em Marrakech de 7 a 18 de outubro.

“É um dia histórico, sem a Europa este acordo não seria uma realidade. Podemos estar orgulhosos”, afirmou o presidente do Partido Popular Europeu, Manfred Weber, que advertiu, no entanto, que “agora a Europa não pode só festejar a assinatura, mas também tem que trabalhar para que seja uma realidade”.

Seu colega socialista, Gianni Pittella, disse que a UE “olha para o mundo” e garantiu que “temos que tentar fazer algo, passar das palavras aos fatos”.

O líder dos liberais, Guy Verhofstadt, afirmou que “o multilateralismo funciona e a governança global do planeta não é um sonho”, assim como que este passo “deixa patente que na Europa podemos liderar o mundo na direção correta, e que juntos somos mais fortes”.

“Vemos o acordo como o primeiro passo, não podemos simplesmente parar agora, temos que trazer mudanças fundamentais ao mundo, no modo em que produzimos e no modo em que consumimos. O capitalismo simplesmente não permite estas mudanças”, disse a presidente da Esquerda Unitária, Gabi Zimmer.

A copresidente dos Verdes, Rebecca Harms, pediu que agora se atue “com ambição”, e afirmou que a UE conta com todas as tecnologias “para tramitar de outra maneira a economia, a energia”, por isso que pediu que seja dado “um salto” para frente.