País tem 17 milhões sem acesso à água

Apenas 9% dos pontos de água do Brasil foram considerados ótimos em estudo

São Paulo – Hoje, 22 de março, é celebrado o Dia Mundial da Água, data estabelecida em 1992, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, a Eco 92, que aconteceu no Rio de Janeiro.

O projeto foi baseados no capítulo 18 da Agenda 21, que tem como objetivo geral assegurar a manutenção da oferta adequada de água de boa qualidade para toda a população do planeta e a preservação das funções hidrológicas, biológicas e químicas dos ecossistemas.

Na data de hoje, portanto, vale lembrar que, no país que possui 12% do potencial hídrico do planeta, mais de 17 milhões de brasileiros não têm acesso à água potável. O principal desafio do país seria garanti a qualidade, e não a quantidade, da água disponível.

“A questão da quantidade tem sido mais bem enfrentada. Mesmo no Semiárido, hoje os problemas estão sendo resolvidos, com grandes canais, grandes açudes. No Sul e Sudeste, a questão da qualidade sempre apareceu como o grande problema e no Nordeste começa a preocupar”, disse o diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), Paulo Varella, à Agência Brasil.

Segundo levantamento realizado em mais de 2 mil pontos de monitoramento em 17 unidades da Federação, apenas 9% dos pontos foram considerados ótimos. Cerca de 70% têm Índice de Qualidade da Água (IQA) considerado bom; 14%, razoável; 5%, ruim; e 2%, péssimo.

O IQA considera níveis de coliformes fecais, temperatura, resíduos e outros aspectos. “Junto das grandes metrópoles, onde há gente demais, mesmo onde tem água, a situação fica complicada. É preciso ter investimentos e uma gestão muito adequada “, diz o diretor.

Entre as áreas críticas estão a Bacia do Alto Tietê (SP), o Rio São Francisco e o Rio das Velhas (MG) e as bacias dos rios Jaguaribe, Cuiá, Cabocó, Mussure (PB).

Além do IQA, o monitoramento da agência mede a qualidade de água pelo Índice de Estado Trófico (IET) e pela estimativa da capacidade de assimilação das cargas de esgotos.

O diretor da ANA calcula que sejam necessários cerca de R$ 20 bilhões para investir na proteção dos mananciais que abastecem os centros urbanos, mas defende uma mobilização da sociedade em favor da conservação e do uso consciente da água. “Os grandes gerentes da água somos nós mesmos. Temos que nos transformar em atores e agir no dia a dia, com mais economia na hora de tomar banho, de lavar o carro”, diz.

Desde 1993, os países participantes do Dia Mundial da Água organizam eventos para promover a conscientização sobre o uso dos recursos hídricos. Este ano, o tema para ações é “Água Limpa para um Mundo Saudável” e é possível visualizar um mapa com os eventos que acontecem no mundo todo no site do World Water Day.

No Brasil, estão inscritas atividades no Rio de Janeiro, Brasília, Goiânia e São Paulo.

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