Oposição síria culpa comunidade internacional por massacre

Cerca de 200 pessoas morreram na quinta-feira na cidade, localizada no reduto opositor de Hama

Cairo – Vários grupos opositores sírios responsabilizaram nesta sexta-feira a comunidade internacional pelo massacre cometido na quinta-feira na cidade de Tremseh por não ter conseguido deter a violência do regime contra a população civil.

A Irmandade Muçulmana da Síria classificou o incidente em Tremseh como o ”mais terrível e duro” de todos os atos de violência ocorridos na Síria desde o início da revolta contra o regime de Bashar al-Assad em março de 2011.

Cerca de 200 pessoas morreram na quinta-feira na cidade, localizada no reduto opositor de Hama, por bombardeios do Exército e disparos de pistoleiros e outras forças leais ao regime sírio, segundo os opositores, embora o regime tenha responsabilizado supostos grupos terroristas.

”Os denominados países civilizados insistem em desprezar o sangue síria e deixar que o monstro (alusão a Assad) continue matando os filhos da Síria”, indicou a Irmandade Muçulmana em comunicado.

Para o grupo islamita, também são responsáveis pelo sucedido em Tremseh o enviado especial da ONU e da Liga Árabe para a Síria, Kofi Annan, assim como Rússia e Irã, aliados de Damasco, por não ter evitado o fim do derramamento de sangue nesses últimos meses.

Annan se reuniu nesta semana em Damasco com o presidente sírio e viajou a Teerã para impulsionar uma solução pacífica ao conflito na Síria, enquanto a Rússia recebeu opositores sírios, aos quais pediu o diálogo com o regime.


Os demais países ”fingem proteger a paz e a estabilidade mundiais, e depois se calam e evitam assumir sua responsabilidade”, assinalou o grupo opositor, que reiterou seu compromisso em seguir lutando pela queda do presidente sírio.

Mohammed Sarmini, dirigente do Conselho Nacional Sírio (CNS) – principal grupo da oposição no exílio -, afirmou à Agência Efe que ”não espera nada da comunidade internacional porque ela não cumpre com seus deveres” e criticou seu ”silêncio e incapacidade”.

Sarmini, cujo grupo defende uma intervenção militar estrangeira no país, lamentou a continuidade dos massacres na Síria após o de Houla, na província central de Homs, onde mais de 100 pessoas morreram no final de maio passado, incidente condenado energicamente pela comunidade internacional.

A rede de ativistas Comitês de Coordenação Local considerou que, em Tremseh, foram utilizadas as ”mesmas medidas e instrumentos” que o regime costuma usar contra os civis.

”Com este massacre, o regime desafia tanto o povo sírio como a comunidade internacional”, apontaram os Comitês, que pediram à população que evite a divisão interna e exigiram à comunidade internacional que assuma suas responsabilidades ”com firmeza e seriedade” para proteger os civis, tal como estipulam as leis internacionais.