Obama solicita à Rússia que mude foco na Síria

Obama disse ter mantido conversas seguidas com Putin na semana passada na cúpula do G20 na Turquia

Manila – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse nesta quarta-feira que a Rússia precisa mudar o foco de apoio ao presidente sírio, Bashar al-Assad, para se concentrar na guerra contra o Estado Islâmico.

Falando poucas horas depois de o presidente russo, Vladimir Putin, prometer caçar os responsáveis ​​pela explosão de um avião russo e ter intensificado os ataques aéreos contra militantes na Síria, Obama disse que essa é uma resposta adequada.

“Se, de fato, ele mudar seu foco, e o foco de suas Forças Armadas, para o que é a principal ameaça, que é o ISIS (Estado Islâmico, na sigla em inglês), isso é algo que queremos muito ver”, disse Obama à margem da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), realizada em Manila.

“Não é assim que eles vinham operando ao longo das últimas várias semanas. Pode ser que agora, que viram o ISIS derrubar um de seus aviões em um acidente horrível, a reorientação prossiga”.

Obama disse ter mantido conversas seguidas com Putin na semana passada na cúpula do G20 na Turquia e antes, na Organização das Nações Unidas, em Nova York.

Mais conversas seriam realizadas com Moscou, disse ele, que acrescentou: “O problema tem sido que sua incursão militar inicial na Síria pode ter sido mais focada em sustentar Assad e atacar a oposição moderada ao invés de beneficiar as pessoas que nos ameaçam, a Europa e a Rússia também.”

A Rússia iniciou os ataques aéreos na Síria no final de setembro. Embora sempre tenha dito que seu alvo principal é o Estado Islâmico, a maioria de suas bombas caíram em território controlado por outros grupos que se opõem a Assad.

Uma fonte de alto escalão do governo francês disse que a Rússia havia lançado ataques aéreos contra o reduto do Estado Islâmico em Raqqa, no norte da Síria, na terça-feira, num indício de que o país estava mais preocupado com a ameaça representada pelo Estado Islâmico.

Putin ordenou os ataques depois que uma investigação oficial concluiu que um Airbus A321 que caiu sobre o Egito no mês passado foi derrubado por uma bomba.

O avião da companhia russa Metrojet estava levando turistas russos da estância de Sharm al-Sheikh para São Petersburgo quando caiu na Península do Sinai, matando todos os 224 ocupantes.

Um grupo afiliado ao Estado Islâmico assumiu a responsabilidade.