O que se sabe sobre a tragédia com o avião russo no Egito

As causas do acidente com o Airbus A321-200 da companhia aérea russa Metrojet seguem um mistério. Veja abaixo o que já se sabe sobre o episódio

São Paulo – O acidente com o avião da companhia aérea russa Metrojet (também conhecida como Kogalymavia), que caiu no último sábado na península do Sinai (Egito) matando 224 pessoas, segue no foco das atenções do noticiário internacional. Veja abaixo tudo o que se sabe sobre essa tragédia e o que ainda é preciso esclarecer.

Sobre a aeronave

De acordo com a Airbus em comunicado oficial, o avião em questão eram um Airbus A321- 200 fabricado em 1997 e acumulava 56 mil horas de voo em 21 mil viagens. O avião era equipado com motores IAE V2500, tinha capacidade para 240 passageiros e era desde 2012 parte da frota da Metrojet.

O primeiro A321 entrou em atividade em 1994 e, atualmente, 6.500 aviões dessa família operam em 300 companhias aéreas espalhadas pelo mundo. Ainda segundo a Airbus, toda a frota conta com mais de 168 milhões de horas de voo em 95 milhões de viagens.

Segundo o Aviation Safety Network, um site dedicado ao monitoramento de acidentes aéreos, essa mesma aeronave teve a cauda danificada em 2001 no aeroporto de Cairo, mas na época era da frota de uma aérea libanesa.

Diretores da Kogalymavia disseram à imprensa que o avião havia passado por uma rigorosa revisão em 2013 e que se encontrava em excelente condição. O voo em questão contava com uma tripulação experiente, aprovada em exames de segurança e de saúde.

Da decolagem até a queda

O avião operava como voo 7K-9268 e decolou às 5h58 da manhã (horário local) do aeroporto de Sharm el-Sheik, que fica a cerca de 500 quilômetros da cidade do Cairo, e tinha como destino São Petersburgo, na Rússia. 22 minutos depois da decolagem, desapareceu dos radares enquanto sobrevoava uma região montanhosa da península do Sinai. 

De acordo com comunicado oficial de autoridades egípcias divulgado nas redes sociais no último sábado, os destroços do Airbus foram detectados na região de Al-Hasanah.

100 corpos foram imediatamente encontrados, muitos com os cintos de segurança atados em seus assentos, contou um oficial que testemunhou a cena. O avião, continuou esse oficial, havia se dividido em dois: a cauda estava queimada, enquanto que a parte frontal havia colidido com uma rocha.

Dados compilados pelo FlightRadar24, um site que monitora aeronaves em todo o mundo, mostram a trajetória da aeronave do momento em que decolou até a sua queda. Segundo sua análise, o voo sofreu mudanças dramáticas de altitude e velocidade antes de desaparecer.

As vítimas

Em seguida, foi oficializado que todas as 224 pessoas a bordo haviam morrido, 7 delas eram tripulantes. Entre os passageiros, informou a rede de notícias americana CNN, 17 eram crianças e 209 eram russos.

Causas da queda 

Até o momento, as causas da tragédia são desconhecidas, mas especialistas seguem especulando o que, afinal, teria acontecido com a aeronave que teria se despedaçado em pleno voo.

As caixas pretas já foram recuperadas, mas ainda não oferecem informações precisa acerca do episódio. Uma fonte ligada à investigação, contudo, disse à Reuters que o avião não parece ter sido atingido por algo externo e que o piloto não emitiu qualquer pedido de socorro. 

Oficiais dos EUA ouvidos pela CNN disseram que satélites detectaram uma onda de calor na região da queda no momento do acidente, mas não sabem se o mesmo aconteceu em solo ou no céu. Esse calor, especularam, poderia ter sido causado por mísseis, bombas, pela explosão de motor ou qualquer problema estrutural que pudesse ocasionar um incêndio.

A hipótese de o voo ter sido alvo de um ato terrorista não é completamente descartada. No sábado, o braço egípcio do grupo Estado Islâmico (EIalegou ter sido o responsável pela queda do avião. Egito e Rússia, na ocasião, negaram a possibilidade.

Mas, enquanto os egípcios seguem dizendo que um ataque pelo EI nada mais é que “propaganda”, o discurso das autoridades russas parece ter mudado. Um porta-voz do Kremlin declarou nesta segunda-feira que nenhuma versão pode ser descartada e lembrou que ainda é cedo para qualquer conclusão.

Já a cia. aérea diz não ser possível ter havido uma conjunção de erros do sistema da aeronave que pudesse levá-la a se desintegrar no ar. “Inclusive no caso de uma despressurização súbita, os pilotos poderiam ter colocado as máscaras de oxigênio”, pontuou um diretor. A essa altura, continuou ele, a causa do acidente “pode ser qualquer coisa”.