O interesse de Trump no Iraque

Iraquianos podem voltar a viajar para os Estados Unidos. O polêmico impedimento imposto a sete países de maioria muçulmana em janeiro, como medida de segurança contra possíveis ataques terroristas, agora vale apenas para seis. Nessa segunda-feira, o presidente americano, Donald Trump, decidiu pela suspensão da barreira, ao se reunir com o primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, na Casa Branca. O motivo? A colaboração das tropas iraquianas no combate ao terrorismo.

O Iraque tem precisado lidar com o Estado Islâmico dentro de casa, desde junho de 2014, quando o grupo passou a controlar a cidade de Mosul. Foi lá que seus líderes fizeram sua primeira aparição pública, anunciado a criação de um califado islâmico. Na época, cerca de 2,5 milhões de pessoas viviam na cidade. Hoje, são menos de 1,5 milhão. A ofensiva para retomar o controle da área começou há um ano, e o embate ficou conhecido como a Batalha por Mosul.

Temendo repetir a desgraça de Alepo, na Síria, com hospitais e escolas destruídos e o estado matando a própria população, o governo do Iraque tem apostado na luta terrestre desde outubro. Tropas dos Estados Unidos têm ajudado nas linhas de frente, cinco anos após o fim da Guerra do Iraque. Hoje, há cerca de 5.000 soldados na coalizão — mas os americanos levam desvantagem no solo por não dominarem o mapa da região, sendo mais propícios a cair nas armadilhas.

“O povo iraquiano tem sido um parceiro valente e firme em nossa luta conjunta contra o Isis, a Al-Qaeda e o radicalismo”, afirmou o secretário de imprensa Sean Spicer. Após o encontro dessa segunda-feira, que ocorreu devido aos apelos do premiê iraquiano por cooperação, Trump reforçou a necessidade de se livrar do Estado Islâmico e se comprometeu a ampliar os esforços no combate — política que o ex-presidente Barack Obama sempre hesitou em cumprir. Ao menos por hora, Trump parece ter decidido parar de enxergar como ameaça aqueles que lutam contra o mesmo inimigo.