Novo estudo sugere que Anne Frank foi encontrada por acaso

"A questão sempre foi: quem traiu Anne Frank? Mas esta concentração explícita na traição limita a perspectiva em relação à prisão", informou o museu

Um novo estudo do Museu Anne Frank, em Amsterdã, sugere que o esconderijo da garota judia pode ter sido encontrado por acaso.

“A questão sempre foi: quem traiu Anne Frank e os outros que estavam escondidos? Mas esta concentração explícita na traição limita a perspectiva em relação à prisão”, informou o museu em uma declaração.

A instituição, que preserva a memória de Frank – famosa por ter seu diário publicado no best-seller mundial O Diário de Anne Frank (1947) e se tornar um dos maiores símbolos das vítimas do Holocausto –, afirma no estudo publicado na última sexta-feira (16) que, apesar de vasta pesquisa, até hoje não se sabe especificamente quais acontecimentos culminaram na deportação da garota e sua família para o campo de concentração Bergen-Belsen, na Alemanha, onde ela morreu aos 15 anos de tifo.

No entanto, segundo Ronald Leopold, diretor-executivo da Casa de Anne Frank, a nova pesquisa sugere que, além da denúncia anônima aos alemães nazistas em Amsterdã, duas novas hipóteses devem ser consideradas.

Ele disse à BBC:

“Apesar de décadas de pesquisa, a traição como ponto de partida não forneceu nada conclusivo. A nova investigação do Museu Casa de Anne Frank não rejeita a possibilidade de que as pessoas escondidas foram traídas, mas outros cenários também precisam ser levados em conta. Esperamos que mais pesquisadores também vejam as razões para seguir novas pistas.”

A primeira

Em agosto de 1944, uma investigação de uma possível fraude de cupons de alimentos pode ter levado à descoberta do paradeiro dos Frank; meses antes, a garota menciona em seu diário prisões relacionadas à busca.

Os dois homens responsáveis pela distribuição ilegal de cupons vendiam alimentos para os Frank.

A segunda

A outra suposição diz que a descoberta do paradeiro da família foi consequência de outra investigação: a de uma empresa que dava permissão de trabalho a judeus, que assim evitavam a convocação ao trabalho forçado e a deportação para a Alemanha.

Miep Gies, o pai, Otto Frank, e os ajudantes Bep Voskuijl (linha da frente L-R), Johannes Kleiman e Victor Kugler (linha de trás R), são vistos nesta fotografia de 1945 da Casa de Anne Frank em Amsterdã.

Miep Gies, o pai, Otto Frank, e os ajudantes Bep Voskuijl (linha da frente L-R), Johannes Kleiman e Victor Kugler (linha de trás R), são vistos nesta fotografia de 1945 da Casa de Anne Frank em Amsterdã. (Ho New/)

O encontro de paradeiro de judeus ao acaso era frequente, segundo o estudo do museu.

Leopold afirma que a possibilidade de traição não deve ser descartada, embora não tenha levado a uma conclusão.

A história de Anne Frank

Anne Frank, seu pai, Otto, sua mãe, Edith, e sua irmã mais velha, Margot, passaram a viver em um esconderijo em um prédio de Amsterdã para escapar dos nazistas que ocupavam a Holanda durante a 2ª Guerra Mundial em 1942.

Junto com outra família judia, o Van Pels, e um dentista amigo, eles ficaram escondidos por dois anos até serem descobertos pelos nazistas e mandados para campos de concentração, em agosto de 1944.

Durante todo esse tempo, Anne manteve um diário. Ela morreu de tifo no campo de Bergen-Belsen em março de 1945, aos 15 anos.

Já Otto Frank, o pai de Anne, sobreviveu e publicou o diário da filha pela primeira em 1947. Hoje a obra já foi traduzida para mais de 60 idiomas e vendeu milhões de exemplares pelo mundo.