Bruxelas -- Entre as vidas perdidas no duplo atentado de Bruxelas na terça-feira passada estão cidadãos de Bélgica, Estados Unidos, Holanda, Peru, Marrocos, Espanha, China, Itália, Alemanha, Reino Unido e França, por enquanto.

Nos ataques ao Aeroporto de Zaventem e ao metrô de Maelbeek pelo menos 31 pessoas morreram e outras 300 ficaram feridas de mais de 40 nacionalidades, de acordo com dados preliminares. A Bélgica ainda não publicou as identificações oficiais nem a lista de falecidos.

Os que acreditam ter perdido algum ente querido colocam seus nomes em uma lista do governo belga e ficam no aguardo de informações mais precisas.

Aos poucos, embaixada, ministérios e as próprias famílias vão revelando seus nomes e suas histórias. Uma delas é a da espanhola, que também tinha nacionalidades italiana e alemã: Jennifer Scintu Waetzmann, de 29 anos. Casada com o alemão Lars Waetzmann há menos de um ano, eles viajariam aos Estados Unidos para passear. Lars ficou ferido e está em coma.

A italiana Patricia Rizzo, de 48 anos, foi identificada como uma das vítimas do atentado na estação de metrô. Funcionária da Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar (EFSA), ela era casada e tinha uma filha. Ontem um familiar confirmou sua morte nas redes sociais.

Outra vida perdida foi a de Adelma Marina Ruiz era uma delas. A peruana, de 36 anos, era casada com o belga Christophe Delcambe com quem tinha gêmeas. Eles estavam no aeroporto para ir a Nova York encontrar a mãe dela. Maureen, uma das filhas, e seu marido estão hospitalizados. Alondra, a outra gêmea, saiu ilesa. Adelma era chef de cozinha e planejava abrir um restaurante peruano em Bruxelas.

Dois americanos também faleceram no duplo atentado, segundo o Departamento de Estado dos Estados Unidos, assim como três holandeses, o casal de irmãos Alexander e Sascha Pinczowski, que viviam em Nova York e estavam visitando os pais na Bélgica, e Elita Weah, de 41 anos, que estava indo para o enterro do sogro em Boston, de acordo com a rede de TV "NOS".

O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, por sua vez, confirmou a morte do britânico David Dixon. O programador de computador, de 53 anos, vivia em Bruxelas com sua mulher e o filho de 7 anos, segundo a imprensa britânica. Ele falou com a esposa logo depois do atentado ao aeroporto e disse que estava bem, por isso a família acredita que ele tenha morrido no ataque ao metrô.

A embaixada da China na Bélgica informou que um cidadão chinês está entre os falecidos, mas não deu detalhes. O Ministério das Relações Exteriores da França identificou um francês entre os mortos, além de 12 feridos.

O Ministério das Relações Exteriores da Bélgica notificou a morte do ex-diplomata franco-belga André Adam, de 79 anos, que vivia na França. Ele foi embaixador da Bélgica nos Estados Unidos, no Zaire e na Argélia, cônsul-geral em Los Angeles e representante permanente perante a ONU.

À trágica lista de falecidos se soma uma cidadã marroquina, morta no ataque ao metrô.

Há ainda pelo menos três belgas falecidos em Maelbeek: Olivier Delespesse, de 45 anos, professor de uma escola de ensino médio e funcionário da Federação Valônia-Bruxelas; Léopold Hecht, de 22 anos, estudante de Direito na Universidade de Saint-Louis, e cuja família doou seus órgãos; e Loubna Lafquiri, que era professora e mãe de três crianças.

No aeroporto estava o belga Bart Migom, estudante de 21 anos e morador de Diksmuide, na Bélgica. Ele pegaria um voo para os Estados Unidos para visitar sua namorada, Emily Eisenman, com quem tinha conversado logo após chegar ao terminal. O pai de Bart confirmou na quinta-feira o seu falecimento e a Escola de Bruges, onde ele estudava publicidade, suspendeu as aulas.

Outra vítima foi Lauriane Visart, de 27 anos. De acordo com o jornal "Le Vif", ela estava no metrô e era filha do jornalista econômico da rede de TV pública francófona "RTBF" Michel Visart.

Além disso, Fabienne Vansteenkiste, de 51 anos, que trabalhava no aeroporto teve sua morte confirmada ontem pela filha no Facebook.

O trabalho da identificação das vítimas ainda levará tempo, de acordo com o porta-voz da Polícia Federal da Bélgica, Michaël Jonniaux. Segundo ele, por se tratar de uma "catástrofe aberta", não há listas com os nomes das pessoas que estavam no metrô ou no aeroporto, como normalmente ocorre em um acidente aéreo, por exemplo.

Outro fator que dificulta o trabalho dos especialistas é o fato de as explosões terem sido particularmente violentas, fazendo com que haja restos mortais espalhados, somado ao fato do grande número de nacionalidades.

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