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Porto de Paranaguá: de acordo com o MPF, a tripulação do navio negou que tenha encontrado um clandestino a bordo
Curitiba – O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) apuram a denúncia feita por um camaronês que afirma ter sido agredido e lançado ao mar pela tripulação turca de um navio, a cerca de 15 quilômetros da costa brasileira, na região de Paranaguá (PR).
Todos os 19 integrantes da tripulação estão mantidos sob liberdade vigiada, proibidos de deixar a cidade.
O soldador camaronês Ondobo Wilfred, 28, afirmou em depoimento que entrou clandestinamente na embarcação, que tem bandeira de Malta, no Porto de Douala, em Camarões. Desempregado, ele tinha como objetivo chegar à Europa ou aos Estados Unidos.
Após oito dias no navio, quando seu estoque de comida e água acabou, ele teria sido descoberto pela tripulação, agredido com chutes e tapas e mantido preso em uma cabine. Um dos agressores, de acordo com o depoimento, teria dito que "não gostava de preto" e que, para ele, "todos [os negros] são animais".
Três dias após ter sido descoberto, a tripulação o teria abandonado à deriva, em mar aberto, com apenas uma pequena estrutura de madeira, 150 euros e uma lanterna. Depois de 11 horas, foi avistado pela tripulação de um navio chileno, que fez o resgate.
De acordo com o MPF, a tripulação do navio negou que tenha encontrado um clandestino a bordo. Mas busca autorizada pela Justiça indicou a presença do camaronês no navio pela descrição de detalhes do interior da embarcação e pela apreensão de uma fotografia que a vítima escondeu com objetivo de comprovar sua permanência no local.
O camaronês relatou ter colado uma fotografia sob a pia da sala onde ele teria sofrido as agressões. A fotografia foi encontrada pelos agentes da PF.
O MPF e a PF apuram possíveis crimes de racismo, tortura e tentativa de homicídio. Assim que o inquérito for concluído, o MPF verificará se oferece ou não denúncia contra a tripulação do navio. O camaronês chegou a Paranaguá na última sexta-feira (20), mas o fato só foi divulgado ontem (26) pelas autoridades brasileiras, sob o argumento de que era necessário preservar a investigação.
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