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Protestos | 13/06/2012 16:12

Tunísia acusa extremistas e artistas por onda de violência

A chamada "Primavera das Artes" parece ser a origem dos confrontos registrados em várias cidades da Tunísia esta semana

Getty Images

Protestos na Tunísia

Nesta quarta-feira, a calma parecia reinar no país após dois dias de eventos que obrigaram o governo a declarar toque de recolher em oito províncias, incluindo a capital

Tunis - O governo tunisiano acusou diretamente "grupos extremistas" de serem os responsáveis pela onda de violência que abalou o país na segunda e terça-feira, e lamentou as "provocações" dos artistas, uma acusação rejeitada pelos envolvidos.

"Revoltados" e "consternados". Assim se definiram os artistas da Tunísia nesta quarta-feira, lembrando que, um ano depois de terem sido alvos de extremistas islâmicos, são agora alvos da covardia de um governo que os considera responsáveis pela violência dos últimos dias.

Na terça-feira à noite, o ministro da Cultura, Mehdi Mabrouk, um sociólogo independente muito respeitado, anunciou que iria denunciar os organizadores da exposição que poderia ter sido a origem do conflito. O palácio Abdellia, em La Marsa (subúrbio norte de Túnis), onde os trabalhos foram expostos, está fechado até nova ordem.

"É uma reação covarde, catastrófica e dramática. Fomos abandonados. Não dá para compreender a magnitude dessa decisão", disse, balançando a cabeça, Salima Karoui, do Sindicato dos Artistas Plásticos.

A chamada "Primavera das Artes" parece ser a origem dos confrontos registrados em várias cidades da Tunísia esta semana. Obras como uma pintura de uma mulher de topless com homens barbudos e a de um salafista com raiva, foram consideradas um "atentado contra o sagrado".

"A arte é divertimento, provocação. Mas hoje, quem pensa diferente ou sonha, é suspeito", declarou o cineasta Mohamed Zram.

Cerca de 30 pintores, escultores e cineastas se reuniram nesta quarta-feira em frente à sede do Ministério da Cultura. "Retirar da arte o seu caráter subversivo é matá-la", indicava um dos cartazes levados por eles.

No domingo, um porteiro e um advogado, enviados por alguém ainda desconhecido, entraram no museu de La Marsa para solicitar que as pinturas da exposição fossem retiradas. Horas depois, grupos supostamente salafistas, invadiram o local e rasgaram várias telas.

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