São Paulo – Imortalizados nas telas de cinema como o terror dos mares, os tubarões vivem uma dura realidade. O maior predador marinho corre risco de extinção, acredite, pela ação de um outro predador: nós, humanos. As estatísticas são de impressionar. Segundo um novo estudo, cerca de 100 milhões de tubarões são mortos anualmente pela pesca em massa, sendo que 70% é para retirada da barbatana e cartilagem.

O estudo, publicado no periódico científico Marine Policy, é a análise mais abrangente já feita sobre a mortalidade desses animais no mundo. De acordo com os cientistas, a pesca predatória não é só insustentável, como também pode levar as espécies à extinção.

Na maior parte das vezes, os tubarões são vítimas de finning, pesca ilegal para obtenção exclusiva das barbatanas, usadas para fazer sopa de barbatana de tubarão, uma iguaria na Ásia, servida em restaurantes frequentados pela elite e presença quase obrigatória em grandes recepções e almoços de negócios importantes.

No mercado asitático, o quilo de nadadeiras pode custar até 600 dólares, dependendo da espécie. Em alguns casos de captura, o processo é cruel: retira-se somente a barbatana enquanto a carcaça do animal que agoniza é jogada de volta ao mar. Incapaz de nadar, ele afunda, sendo comido por outros animais, como mostra o vídeo abaixo feito pela Ong conservacionista Bite-Back:

Um predador vulnerável

Em particular, os cientistas observaram que os tubarões estão sendo capturados a uma taxa média que é de 30 a 60 por cento superior ao que pode ser sustentado.

Os tubarões levam anos para amadurecer sexualmente e produzir sua prole, o que significa que eles não podem recuperar os números da população perdida de forma rápida, o que os torna vulneráveis à sobrepesca.

A inexistência de uma lei internacional que restrinja a pesca do tubarão para a retirada das barbatanas também contribui para a vulnerabilidade das espécies.

No Brasil, a proibição da pesca de tubarões e também de raias apenas para o comércio de barbatana foi regulamentada há menos de quatro meses, em novembro do ano passado.

Desde então, quem pescar tubarão tem que trazer a barbatana presa ao corpo. Segundo o Ministério de Pesca e Agricultura, das 88 espécies brasileiras de tubarão, 38 estão na lista de extinção.

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