A pré-candidata democrata Hillary Clinton ganhou as primárias do partido no Arkansas, conquistando sua quinta vitória desta "Super Terça" - de acordo com projeções de diferentes emissoras americanas.

A ex-secretária de Estado também aparece como ganhadora em Alabama, Tennessee, Geórgia e Virgínia, enquanto seu oponente, o senador Bernie Sanders, deve obter uma clara vitória em Vermont, seu estado natal.

A vitória de Hillary no Arkansas era dada como certa, já que seu marido, Bill, foi governador neste estado por dois mandatos (1979-1981/1983-1992).

Já o republicano Donald Trump venceu, até o momento, as primárias nos estados do Alabama, Geórgia, Massachusetts, Tennessee e Virgínia, segundo projeções das redes de TV.

Instantes depois do fechamento dos centros de votação nesses três estados, Trump publicou uma curta mensagem no Twitter: "Obrigado, Geórgia".

Hoje é um dia crítico para os pré-candidatos, em especial republicanos, já que o número de delegados eleitos nesta "Super Terça" representa quase metade do número necessário para garantir a vitória na convenção nacional do partido. São 19% dos delegados internos pelo Partido Democrata e 24% pelos republicanos.

Entre os estados que disputam primárias e "caucuses" (assembleias) nesta terça, destaca-se o Texas, com um dos maiores colégios eleitorais do país.

Republicanos e democratas realizam suas convenções nacionais em julho para formalizar seus respectivos candidatos à eleição de 8 de novembro. Nesse dia, os americanos escolhem aquele que substituirá o presidente Barack Obama na Casa Branca.

A votação começou nos dez estados nos quais se expressam simultaneamente democratas e republicanos, e seguiu para o Colorado, onde votam apenas os democratas, antes de terminar no distante Alasca.

O polêmico multimilionário Trump exibia uma vantagem avassaladora sobre todos os seus correligionários. De acordo com uma pesquisa realizada pela CNN/ORC Survey, ele teria pelo menos 49% das intenções de voto, mais do que todos os outros aspirantes somados.

Empresário sem qualquer experiência política, Trump é publicamente ignorado pela direção do partido Republicano, mas uma vitória consagradora nesta terça-feira pode colocá-lo em um caminho praticamente sem volta.

Enquanto isso, Hillary tem a seu favor toda a máquina do Partido Democrata e, desta forma, é a grande favorita para conseguir nesta terça-feira uma vantagem confortável sobre o senador Bernie Sanders.

Cenário desolador

No caso de Trump, seu favoritismo claramente chega acompanhado de uma crise sem precedentes no Partido Republicano, fundado em 1854.

Assim como Trump, o terceiro pré-candidato na disputa, o senador Ted Cruz, também é detestado pela direção do partido, mas a alternativa viável, o senador Marco Rubio, parece incapaz de reduzir a distância que o separa do líder magnata.

Neste panorama, Rubio e Cruz passaram a usar as mesmas armas de Trump, e a campanha se transformou em um verdadeiro festival bizarro de insultos, golpes baixos e discursos com menções a cuecas sujas, críticas à quantidade de suor, ou até alusões à confiabilidade de homens com mãos pequenas.

"Donald Trump é uma séria ameaça para o futuro do nosso partido e do nosso país", lançou Rubio, em carta aberta aos eleitores, pouco depois do início da apuração.

Uma das mais respeitadas lideranças republicanas, o senador John McCain comentou hoje que é "perturbador" o (baixo) nível da campanha do partido. Em 2008, McCain disputou a Casa Branca com Obama.

Ele disse esperar que "possamos ter uma campanha presidencial que não se concentre no tamanho das orelhas de um adversário, ou se transpira muito".

Fiel ao seu estilo, na segunda-feira, Trump simplesmente ignorou a indignação generalizada por sua negativa em rejeitar o apoio da Ku Klux Klan e seu líder, David Duke, a sua candidatura ("ainda não sei nada sobre ele", disse). Também criticou o "tom patético" usado por Hillary em seus discursos.

Em um ato público ontem, Trump ridicularizou Rubio pela forma como transpirava no último debate e afirmou que "não podemos ter este tipo de gente negociando com os chineses, ou com (o líder russo Vladimir) Putin".

Em entrevista à Fox News nesta terça, comentou que "meus eleitores não são gente com raiva, mas há raiva no partido" com o governo do presidente Barack Obama.

Além disso, o bilionário acusou Ted Cruz de "não fazer nada" por seu estado, o Texas, e alfinetou Marco Rubio por fazer um "trabalho horrível" na Flórida, seu estado natal.

À medida que mais e mais pesos pesados republicanos manifestam seu apoio a Rubio, ou a Cruz, mais Trump sobe na disputa interna. Essa situação deixa o partido diante da necessidade de se questionar em que momento será necessário aceitar sua candidatura e se alinhar a seu favor.

Quadro menos turbulento

Entre os democratas, a situação parece menos turbulenta, em especial após a vitória esmagadora de Hillary sobre Sanders na interna partidária da Carolina do Sul.

A ex-secretária de Estado havia iniciado a campanha como uma favorita intocável, mas os dois primeiros capítulos da disputa interna (em Iowa e New Hampshire) deixaram claro que esta vantagem poderia desaparecer de uma hora para outra.

Uma forte campanha de críticas a Sanders nas últimas duas semanas pareceu devolver a Hillary a liderança e a autoconfiança antes da "Super Terça".

A pesquisa da CNN/ORC apontou que Hillary tem nacionalmente uma vantagem de 55% a 38% sobre Sanders, embora a média de todas as pesquisas nesta conjuntura sugira uma vantagem de 47% a 42%, de acordo com o site especializado RealClearPolitics.

Ainda de acordo com os números, Hillary ou Sanders ganhariam um eventual duelo com Trump, com uma margem ligeiramente mais confortável para o senador (55% contra 43%) do que para a ex-secretária (52% frente 44%).

Em um rápido encontro com jornalistas nesta terça, Hillary garantiu: "quem quer que seja indicado (entre os republicanos), estarei preparada para enfrentá-lo, caso tenha a sorte de conseguir a indicação".

Sanders admitiu ter sido esmagado na Carolina do Sul, onde 86% dos eleitores democratas negros optaram por Hillary. Diante desse cenário, sua equipe de campanha concentrou as expectativas em estados como Massachusetts, Minnesota, Oklahoma e Colorado, assim como Vermont, estado que o senador representa.

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