BRUXELAS - Após os ataques de Paris, as forças de segurança empreenderam esforços para localizar o principal suspeito Salah Abdeslam, que desapareceu depois de ter regressado a Bruxelas, acreditando que o Estado Islâmico poderia tê-lo levado para a Turquia, Síria ou Marrocos.

Mas aparentemente o homem mais procurado da Europa nunca deixou a capital belga. E foram familiares, amigos e criminosos que o ajudaram a escapar de uma caçada humana de quatro meses, antes de ele ser preso na sexta-feira no bairro no qual cresceu, não muito longe da casa de seus pais.

Conforme os serviços de segurança procuram entender como Estado Islâmico opera na Europa para evitar mais ataques, o caso de Abdeslam destaca a dificuldade de rastreamento de suspeitos, que podem contar com a proteção de redes comunitárias, muitas das quais não envolvem radicais religiosos e não estão no radar da polícia.

"Abdeslam contou com uma grande rede de amigos e parentes que já existia por tráfico de drogas e pequenos crimes para mantê-lo escondido", afirmou o procurador federal belga Frederic Van Leeuw a respeito do único suspeito sobrevivente dos ataques de 13 de novembro que mataram 130 pessoas em Paris.

"Isso era sobre a solidariedade dos vizinhos, famílias", afirmou Van Leeuw à emissora estatal RTBF, falando sobre a habilidade de Abdeslam de ser manter escondido por tanto tempo, apesar das 24.000 ligações do público para linha da polícia belga que foi disponibilizada para coleta de informações sobre os suspeitos dos ataques. Abdeslam pode ter se escondido no porão do apartamento da mãe de um amigo sem nenhuma ligação com militantes, noticiou o jornal belga La Libre Belgique neste domingo.

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