Moscou - Os Estados Unidos enfrentam um trabalho difícil para desfazer o dano causado pelas denúncias de que espionou líderes de países aliados, disse o premiê russo Dmitry Medvedev.

Reportagens de que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) grampeou o telefone celular da chanceler alemã, Angela Merkel, e conduziu uma ampla vigilância eletrônica em países como França, Itália, Espanha e Brasil, entre outros, desencadearam a indignação entre aliados norte-americanos.

"Não é muito prazeroso quando você é espionado... então os líderes estão com raiva. Eu os entendo", disse Medvedev em entrevista à Reuters na quinta-feira.

Medvedev sugeriu que espionagens do tipo não são incomuns, mas acrescentou que "é presumido que não seja feita de uma maneira tão cínica".

"A situação pode se acalmar? Eu acho que é possível. Mas para ser honesto, nenhuma afirmativa vai nos ajudar aqui", disse ele. "O que se pode dizer da situação? 'Desculpe, nós não vamos fazer de novo?' ou 'Nós não vamos tentar te ouvir em escutas?' Ninguém vai acreditar." O escândalo de espionagem é consequência do vazamento de documentos secretos norte-americanos feito pelo ex-prestador de serviço da NSA Edward Snowden, que fugiu dos EUA e vive sob asilo na Rússia desde agosto.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, um ex-espião da KGB, disse que abrigaria Snowden somente caso ele parasse de prejudicar os EUA, e negou os apelos de Washington pela extradição do norte-americano, acusado de espionagem em seu país natal.

A decisão de conceder asilo a Snowden pareceu intencionada a ressaltar as acusações de Putin de que os EUA pregam ao mundo sobre direitos e liberdades, mas não praticam os mesmos princípios em casa.

Um parlamentar alemão disse ter se encontrado com Snowden em Moscou na quinta-feira e que o ex-prestador de serviço da NSA está disposto a colaborar com as investigações sobre as denúncias de monitaramento a Merkel por parte dos EUA.

As revelações de Snowden também abalaram as relações dos EUA com o Brasil. A presidente Dilma Rousseff cancelou uma visita de Estado que faria a Washington este mês após denúncia de que teve suas próprias comunicações pessoais monitoradas pela agência norte-americana.

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