Caracas - A Suprema Corte da Venezuela apoiou o presidente Nicolas Maduro, em um confronto com a Assembleia Nacional apoiada por opositores do governo, dando amplos poderes ao líder para evitar o escrutínio do Legislativo sobre o Orçamento e aumentar o poder governamental sobre o setor privado. A decisão já era esperada.

Legisladores de oposição e economistas privados disseram que isso pode aprofundar a crise econômica do país e causar uma divisão política ainda maior.

Estava em questão o decreto de maduro, de janeiro, que dava mais poderes para a presidência sobre a economia, que passa pelo seu maior colapso desde a Grande Depressão. Mas a nova assembleia, dominada pela oposição, rejeitou o decreto.

Maduro disse que agora pode tomar uma série de medidas para lidar com a severa crise do país. "Isso ajuda muito no nosso trabalho", disse o presidente na TV estatal.

Economistas afirmam que o decreto permite que Maduro se esquive de reformas necessárias. A Venezuela está sofrendo com um recessão profunda, escassez de produtos básicos e uma taxa de inflação anual que o Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma que vai atingir os 700% neste ano.

O decreto "vai permitir que ele elabore um orçamento baseado em uma inflação grosseiramente subestimada, aprovando contratos sem a aprovação do Legislativo, por exemplo, e expropriando companhias e linhas de produção", disse Orlando Ochoa, economista venezuelano.

A aprovação da Suprema Corte enfureceu os legisladores da oposição, que veem a decisão como uma forma de usurpar o poder do Congresso. Fonte: Dow Jones Newswires.

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