São Paulo - Ao menos 29 pessoas morreram e cerca de 30 ficaram feridas no ataque cometido por extremistas em um hotel e um restaurante na capital de Burkina Faso, segundo um novo balanço oficial anunciado no sábado à tarde pelo ministro do Interior, Simon Compaoré.

Além disso, os corpos de três extremistas foram identificados, todos homens, segundo Compaoré, que informou que os agressores eram "muito jovens" segundo relatos. O balanço anterior dava conta de 26 mortos.

Segundo uma fonte ligada ao caso, entre as vítimas existem pessoas de ao menos 18 nacionalidades, entre elas ao menos dois franceses, segundo o ministério das Relações Exteriores.

A França, cujas forças especiais participaram na operação de doze horas contra os extremistas, elevou seu balanço para "27 mortos e cerca de 150 feridos", em comunicado deste sábado.

O presidente Roch Marc Christian Kaboré pediu ao povo de Burkina que tenha "valor" e se mantenha "vigilante", e decretou luto nacional de 72 horas a partir de domingo.

Ao todo, 126 pessoas foram libertadas, anunciou à AFP Compaoré. Entre os sobreviventes estaria, ileso, o ministro do Trabalho, Clement Sawadogo.

Desde o meio dia, a forças prosseguiam as operações nas imediações do hotel quatro estrelas Splendid, no qual normalmente se hospedam estrangeiros e funcionários das Nações Unidas.

A Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI) reivindicou o ataque, explicando que se tratava de uma "vingança contra a França e os infiéis ocidentais", segundo um comunicado detectado pelo observatório americano SITE.

Os criminosos eram membros do grupo Al Murabitun, baseado no Mali e dirigido por Mokhtar Belmokhtar, disse o SITE.

Um responsável do grupo extremistas malinês Ansar Dine afirmou neste sábado à AFP em Bamaco que os dois australianos sequestrados na véspera em Burkina estavam nas mãos de extremistas que pertencem ao Emirado do Saara, grupo vinculado à Al-Qaeda.

"Quatro combatentes do Emirado do Saara têm em suas mãos dois australianos, uma mulher e um homem. Os dois 'cruzados' estão vivos e em breve daremos mais detalhes", afirmou em uma breve declaração telefônica Hamadou Ag Jallini, um responsável do Ansar Dine.

Segundo especialistas, o Emirado do Saara é o nome de um braço da AQMI que opera no norte do Mali.

Além dos quatro atacantes mortos, um quinto teria podido se refugiar em um bar próximo, disseram testemunhas que conseguiram escapar.

Entre os extremistas abatidos havia "um árabe e dois africanos negros", segundo Compaoré.

- "Havia sangue por toda parte" -

Na manhã deste sábado, a entrada principal do hotel estava em chamas e era possível ouvir gritos em seu interior.

"Foi horrível, as pessoas estavam deitadas e havia sangue por toda parte. Atiravam nas pessoas à queima-roupa", contou à AFP Yannick Sawadogo, um dos reféns que conseguiram escapar.

"Ouvimos eles falando e iam caminhando entre as pessoas e disparando contra as que não estavam mortas. E quando saíram provocaram um incêndio", acrescentou.

O ataque ocorreu dois meses depois de outro atentado extremistas no luxuoso hotel Radisson Blu da capital do Mali, Bamaco, no qual 20 pessoas morreram - entre elas 14 estrangeiros - reivindicado pelo mesmo grupo autor deste último ataque em Ouagadougou.

Neste sábado o SITE divulgou uma conversa telefônica de um dos criminosos na qual afirmava: "Contei 18 (corpos), mas há ao menos 30 mortos".

Paris e Washington, aliados-chave de Burkina Faso, condenaram o atentado, assim como a União Europeia e o Reino Unido.

- "Odioso, covarde" -

Paris e Washington, aliados-chave de Burkina Faso, condenaram o atentado, assim como a União Europeia e o Reino Unido.

A embaixada francesa havia indicado horas antes em seu site que havia um ataque terrorista em andamento, pedindo às pessoas que evitassem a zona. O presidente francês, François Hollande, condenou em um comunicado este ataque, considerando-o odioso e covarde.

Com o aeroporto de Ouagadougou fechado devido ao ataque, os voos da Air France a partir de Paris foram desviados ao vizinho Níger.

O exército de Burkina Faso afirmou que 20 pessoas fortemente armadas realizaram um ataque na sexta-feira perto da fronteira com o Mali, matando duas pessoas - um oficial da polícia e um civil - e deixando dois feridos.

Um oficial de Defesa americano afirmou, sob condição de anonimato, que Washington pode oferecer serviços de vigilância com drones.

Em Burkina foram realizados vários ataques nos últimos meses, mas até agora nenhum da capital.

Em abril, um romeno, chefe de segurança de uma mina em Tambao (norte), foi sequestrado em uma operação reivindicada igualmente pelo grupo Al Murabitun.

Burkina Faso forma parte do G5 Sahel, grupo de cinco países da região que se coordenam e cooperam em matéria de desenvolvimento, segurança e luta contra o terrorismo.

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