Escândalos, economias turbulentas, legados manchados ou simplesmente futuros incertos: são tempos de provações para os líderes de alguns dos países mais importantes do mundo.

Eles enfrentam problemas radicalmente diferentes, embora todos estejam buscando um respiro em relação a eleitorados amargurados e provocadores e ao nervosismo dos mercados financeiros que marcaram o ano até aqui.

Aqui está uma visão a respeito de como as coisas poderiam se desenrolar nos próximos meses de Pretória a Washington, passando por Brasília, Berlim e Londres:

Dilma Rousseff

Após dois anos de investigação sobre corrupção que se propagou de doleiros a empresas e políticos, Dilma, 68, está atravessando meses cruciais.

Com seu mentor e antecessor Luiz Inácio Lula da Silva sendo acusado de lavagem de dinheiro, ela é atacada por uma suposta intervenção para protegê-lo.

No Congresso, uma comissão de impeachment oferecerá sua recomendação aos demais parlamentares. Se Dilma perder, será a segunda presidente a sofrer impeachment desde que o Brasil voltou à democracia, em 1985.

MELHOR RESULTADO PARA ELA: Os processos de impeachment não conseguem uma prova concreta e ela encontra uma forma, em meio à crise econômica do Brasil, de concluir seu mandato em 2018.

PIOR RESULTADO PARA ELA: A violência nas ruas e a probabilidade de impeachment a forçam a renunciar nas próximas semanas.

Jacob Zuma, presidente da África do Sul

Pela primeira vez em seus nove anos como líder do partido da situação, Zuma, 73, enfrenta uma ameaça real ao seu poder. Alguns dos principais representantes do Congresso Nacional Africano, seu partido, estão tentando derrubá-lo por suas ligações com uma famosa família acusada de usar o relacionamento entre eles para ampliar seus interesses comerciais e até mesmo influenciar nomeações no governo.

Exortado pela oposição a renunciar no Parlamento na semana passada, Zuma foi desafiante como sempre sobre se haviam sido oferecidos cargos ministeriais aos seus amigos. “Não pergunte a mim”, disse ele. “Onde eu entro nisso?”. Zuma superou todos os seus adversários até agora e seu controle sobre a maior parte do CNA ainda é forte. A dúvida é se sua resistência pode durar.

MELHOR RESULTADO PARA ELE: Ele consolida seu poder sobre o CNA e elimina todos os rebeldes, o que lhe permitiria decidir seu sucessor em 2019.

PIOR RESULTADO PARA ELE: Um número suficiente de membros do CNA o abandona e o forçam a deixar o cargo nos próximos meses. Se isso acontecer, existe até mesmo a chance de que antigas acusações de corrupção possam ser reapresentadas.

Angela Merkel, chanceler da Alemanha

Ela é quem está no poder há mais tempo -- uma década -- e enfrenta a maior ameaça da história ao seu cargo porque os alemães ficaram divididos em relação à sua política de fronteiras abertas durante a maior crise de refugiados da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Internamente, os alemães também ficaram abalados com os ataques terroristas de Paris e agora de Bruxelas realizados por jihadistas criados na Europa. Em 13 de março, os eleitores deram ao partido Alternativa para a Alemanha, de orientação anti- imigratória, o maior sucesso na história nas eleições regionais.

No exterior, o talento para a mobilização de aliados europeus que ela demonstrou durante a crise da dívida da Grécia parece estar faltando a ela atualmente. Por enquanto, Merkel, 61, se mantém firme: “Já passei por tempestades antes”, disse ela em um evento de campanha de seu partido neste mês.

MELHOR RESULTADO PARA ELA: As chegadas de refugiados em solo grego diminuem e as negociações de paz na Síria avançam. Merkel caminha para a eleição de 2017 na Alemanha fortalecida e consegue um quarto mandato.

PIOR RESULTADO PARA ELA: O acordo da UE com a Turquia para limitar a imigração fracassa e a guerra civil da Síria se arrasta. Merkel fecha as fronteiras da Alemanha e busca a reeleição, mas como uma sombra de sua antiga figura política.

David Cameron, primeiro-ministro do Reino Unido

Diferentemente dos demais, os problemas de Cameron são mais autoinfligidos. Há menos de um ano ele conseguiu uma surpreendente vitória eleitoral, confundindo seus críticos e deixando a oposição em desordem. Mas se for derrotado no plebiscito de 23 de junho para manter o Reino Unido dentro da União Europeia é difícil ver como poderá manter o cargo.

Ele convocou o plebiscito para acalmar o Partido Conservador, do qual faz parte, mas pode ter subestimado o nível de apoio à saída do mercado comum entre ativistas e parlamentares. As pesquisas em um eleitorado cada vez mais dividido e fragmentado sugerem que a votação será apertada. Se o Reino Unido optar por deixar a UE, a Escócia sem dúvida buscaria a independência novamente. Por isso, Cameron, 49, poderia acabar assistindo ao desenrolar de dois divórcios amargos antes de deixar o cargo.

MELHOR RESULTADO PARA ELE: uma decisão clara pela permanência do Reino Unido permitiria que ele convença seu partido de que os britânicos não compartilham da obsessão deles em relação à Europa. Ele passa o bastão ao ministro das Finanças, George Osborne, a tempo de vencer a eleição de 2020.

PIOR RESULTADO PARA ELE: Assustados pelos ataques terroristas no continente e pelo volume maior de imigrantes a caminho do Ocidente, os britânicos decidem sair da UE. Cameron deixa o cargo por não conseguir vender os benefícios da permanência no bloco comum e é substituído por seu rival de longa data, o prefeito de Londres, Boris Johnson.

Barack Obama, presidente dos EUA

O segundo mandato de Obama está chegando ao fim e ele tem sido atormentado pela corrida para substituí-lo. A campanha eleitoral é uma das menos convencionais e mais acirradas da história recente e ainda há oito meses pela frente.

O bilionário Donald Trump chocou o establishment político americano e claramente irritou Obama, que poderia ver muitas de suas conquistas serem encerradas se os republicanos recuperarem a Casa Branca. “Temos ouvido uma retórica vulgar e de divisão tendo as mulheres e as minorias como alvo”, disse Obama no dia 15 de março.

O problema é que a ascensão de Trump também reflete os pontos onde a economia comandada por Obama falhou, em particular a estagnação dos salários. Efeitos retardados da recessão que terminou há quase sete anos pairam sobre a campanha presidencial. A principal candidata democrata, Hillary Clinton, é vista desfavoravelmente por 52 por cento dos americanos, mostrou uma pesquisa divulgada no dia 8 de março.

MELHOR RESULTADO PARA ELE: Ele abraça Hillary após sua vitória, entregando as chaves da Casa Branca a uma democrata com a certeza de que seu legado estará seguro.

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