Revigorado por uma surpreendente vitória, Bernie Sanders enfrenta Hillary Clinton em mais um debate nesta quarta-feira, enquanto o republicano Donald Trump se fortalece a uma semana das esperadas primárias da Flórida.

Neste estado do sul, o vencedor no próximo dia 15 leva todos os delegados: 99 para republicanos e 246 para democratas.

O senador por Vermont obteve uma de suas maiores conquistas na campanha, ao vencer Hillary em Michigan, por 49,9% contra 48,2%. As pesquisas de opinião chegaram a dar pelo menos 20 pontos de vantagem à ex-secretária de Estado neste estado, berço da combalida indústria automotiva americana.

Embora Sanders tenha tido melhor desempenho em Michigan, Hillary Clinton obteve uma clara vitória no estado do Mississippi, totalizando mais delegados do que o senador.

Ainda assim, essa dose extra de energia para Bernie pode ajudá-lo em estados similares ou vizinhos a Michigan, como Illinois, Ohio, ou Missouri, que também votam na terça que vem.

Seu discurso protecionista foi um evidente obstáculo para a ex-primeira-dama, depois das acusações de seu oponente de que teria apoiado acordos de livre-comércio. Segundo Bernie, esses acordos levaram ao fechamento de fábricas americanas e acabaram com milhares de vagas de trabalho.

"Ela tem problemas competindo fora do sul e quase já não há mais estados do sul", disse à CNN o chefe de campanha de Sanders, Jeff Weaver.

Os dois pré-candidatos debatem hoje, na Miami Dade College, em Miami, a partir das 22h locais (23h, em Brasília). O debate será transmitido pelas emissoras Univision e CNN e pelo site do jornal The Washington Post.

Avanço 'insuperável'

De calculadora em mãos, a equipe de Hillary lembra, porém, que, como os delegados democratas são distribuídos de maneira proporcional, a indicação é obtida com vitórias esmagadoras, e não com conquistas simbólicas. No sul, por exemplo, graças ao forte apoio da comunidade negra, Hillary levou mais de 70%.

"Vitórias como as de ontem à noite, no Michigan, simplesmente não serão suficientes para o senador Sanders", afirmou o chefe de campanha da ex-primeira-dama, Robby Mook, em teleconferência com jornalistas nesta quarta-feira.

Nas próximas votações, Sanders "não apenas deve ganhar esses estados, como tem de fazer isso com margens excepcionais, se quiser nos alcançar", completou.

"Por isso, acreditamos em que nos aproximamos do ponto em que nossa vantagem no número de delegados será, de fato, insuperável", vaticinou.

Com 13 vitórias em 22 embates já realizados nas prévias, Hillary Clinton reúne mais da metade dos delegados necessários para conseguir a indicação na Convenção Nacional Democrata da Filadélfia, em julho, segundo balanço da CNN.

Trump, incontrolável

Enquanto isso, Donald Trump se gabava nesta quarta-feira de seu "status" de favorito na corrida republicana, um dia depois de sua tripla vitória (Michigan, Mississippi e Havaí).

Nesses estados, o magnata do setor imobiliário demonstrou que seu encanto de "outsider" da política e seu discurso populista e anti-imigrante continuam atraindo os eleitores. Já são 15 vitórias em 24 consultas realizadas. Donald Trump acumula 458 delegados, seguido do senador ultraconservador Ted Cruz, com 359.

No próximo dia 15, vem outra prova de fogo, com o vencedor das primárias nos estados da Flórida, de Illinois e de Ohio, assim como do "caucus" no território americano das Ilhas Marianas Setentrionais, levando todos os delegados. No caso da Flórida, por exemplo, são 99.

Para Marco Rubio, senador por esse estado, e para John Kasich, governador de Ohio, o tempo está se esgotando. A impossibilidade de registrar uma vitória contundente em seus respectivos redutos eleitorais significará praticamente o golpe de misericórdia em suas ambições.

"Não estou preocupado com nada (...) Sempre tive uma grande relação com a Flórida. É minha segunda casa", declarou Donald Trump.

Segundo pesquisa do Instituto Quinnipac, Trump teria 45% dos votos na Flórida, contra 22% de Rubio. Em Ohio, a vantagem sobre Kasich é menor: 38% contra 32%.

Os quatro pré-candidatos republicanos voltam a se encontrar para um novo debate, amanhã, dia 10, promovido por CNN/Salem Radio/Washington Times. O debate será na Universidade de Miami.

"Espero que seja um debate mais suave. Irei como um conciliador", prometeu Trump.

As edições anteriores foram marcadas pela troca de insultos e ataques pessoais.

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