Londres - O governo britânico publicou nesta quarta-feira uma análise para o referendo, marcado para 23 de junho, que concluiu que o Reino Unido seria um país "mais frágil, menos seguro e pior" se saísse da União Europeia.

O documento, "Alternativas à filiação: possíveis modelos para o Reino Unido fora da União Europeia" foi divulgado no site do Executivo, e analisa variantes de uma hipotética relação deste país com a UE se o resultado do referendo fosse a favor do "Brexit".

O relatório, que o governo está obrigado a elaborar em virtude da legislação sobre referendos da UE, apresentou exemplos de países que atualmente não são membros do bloco, mas que têm outros tipos de acordos com a organização, como é o casos de Noruega, Suíça, Canadá e Turquia.

Também analisou possíveis relações comerciais com os países comunitários, baseadas unicamente na Organização Mundial do Comércio (OMC), e avaliou quais seriam as vantagens, obrigações e influência para o Reino Unido.

O governo concluiu, segundo a pesquisa, que "levaria até uma década ou mais negociar um novo acordo com a UE e substituir os existentes acordos comerciais com outros países".

"E mais, cada um dos modelos alternativos acarretaria obrigações significativas e custos para o Reino Unido", alertou o documento, que advertiu que implicariam em "graves riscos" para os negócios britânicos.

O ministro de Trabalho e Previdência, Iain Duncan Smith, favorável à saída britânica do clube comunitário, considerou hoje que o governo está em um "estado de negação" na hora de avaliar os riscos de continuar dentro da UE.

"Este relatório suspeito não vai enganar a ninguém", opinou este dirigente em entrevista à emissora "BBC", ao sustentar que "a verdadeira incerteza é o futuro do projeto" da UE.

Por outro lado, o titular de Relações Exteriores, Philip Hammond, que apoia a permanência, indicou hoje durante uma conversa em Londres que "nenhum dos modelos de acordos bilaterais de livre-comércio ofereceriam nada parecido ao acesso que o Reino Unido tem hoje ao mercado único".

O ministro acrescentou que muitos desses acordos "requereriam a adoção das regulações da UE e das normas sobre livre circulação".

"Atualmente, nos beneficiamos de acordos comerciais da UE com mais de 50 países", observou Hammond, que especificou que estes pactos "se basearam na força negociadora de um bloco que tem 500 milhões de consumidores e um quarto do Produto Interno Bruto do mundo".

O texto oficial indicou que, pelos acordos comerciais que têm atualmente países como a Noruega e a Suíça fora da UE, estes devem realizar contribuições financeiras, aceitar o princípio de livre circulação de cidadãos da União Europeia comunitário e se submeter a outras leis do bloco.

A análise também observou que os pactos que a UE mantém com países como Suíça e Canadá proporcionam um "acesso limitado" ao mercado único.

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