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Diplomacia | 20/08/2012 11:14

Reclusão de Assange põe Reino Unido sob pressão externa

Segundo a imprensa britânica, a "briga" diplomática prosseguirá nesta semana com a reunião da OEA

Pol Costa, da

Carl Court/AFP

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, discursa na varanda da embaixada do Equador em Londres em 19 de agosto de 2012

Assange discursa na varanda da embaixada do Equador em Londres: o Equador exige de Londres um salvo-conduto para que ele saia do país, o que as autoridades negam

Londres - O confinamento de Julian Assange na embaixada equatoriana de Londres, que pode se prolongar por tempo indeterminado, coloca a Grã-Bretanha sob pressão internacional devido à solidariedade dos países sul-americanos com o Equador, "uma briga" diplomática, segundo a imprensa britânica, que prosseguirá nesta semana com a reunião da OEA em Washington.

"Assange mira nos Estados Unidos e a briga se intensifica", era a manchete nesta segunda-feira do The Guardian, destacando a dimensão internacional do caso.

Segundo o jornal, o australiano "advertiu implicitamente a Grã-Bretanha que qualquer disputa com o Equador pode se converter em um conflito com toda a região".

Em seu editorial, o The Guardian é muito crítico com o discurso de Assange e lembra que a principal razão de seu confinamento é evitar responder às alegações da justiça sueca sobre um suposto crime sexual.

"O senhor Assange não enfrenta um julgamento público sobre o jornalismo do WikiLeaks, mas está se esquivando de alegações de estupro. Confundir as duas coisas não faz nenhum favor à organização que criou, que fez um trabalho muito bom", assegura o The Guardian.

O The Independent também lamentou que o fundador do WikiLeaks não tenha mencionado os supostos crimes sexuais pelos quais ele é requerido pela Suécia e assegurou que, caso seu objetivo fosse realmente lutar pela liberdade de expressão, "não haveria centenas, e sim milhares de seguidores" em frente à embaixada.

Mas a imprensa destaca, principalmente, a dimensão diplomática do caso e até geopolítica. O conservador The Times não hesitou em dedicar uma página dupla ao "histórico em direitos humanos dos novos amigos de Assange", com trechos de relatórios de ONGs, como Anistia Internacional ou Repórteres Sem Fronteiras, sobre vários países latino-americanos, entre eles o próprio Equador.

O próximo passo na batalha diplomática será a reunião, na sexta-feira em Washington, da Organização dos Estados Americanos (OEA), que deve se pronunciar sobre o caso Assange.

No domingo, os chanceleres da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) reafirmaram em Guayaquil "sua solidariedade" com o Equador, um dia após o respaldo da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América), acrescentando um pouco mais de pressão às autoridades britânicas.

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