Rio de Janeiro - A polícia desmantelou uma organização de traficantes integrada por brasileiros, espanhóis e equatorianos que durante pelo menos um ano recrutou "mulas" para transportar cocaína entre os aeroportos de São Paulo e de Madri, informaram nesta sexta-feira fontes oficiais.

A denominada "Operação Espanha" começou há várias semanas e prendeu até agora quatro pessoas e apreendeu cinco quilos de cocaína, explicou a Polícia Federal.

Além das pessoas encontradas com drogas, "ainda há integrantes (da organização) foragidos em território europeu", assegura a nota.

A cooperação entre as autoridades de Brasil e Espanha permitiu que as "mulas" fossem vigiadas desde o embarque no aeroporto internacional de Guarulhos, até seu destino na Espanha após desembarcar em Barajas, já que o objetivo era prender os responsáveis da quadrilha e não dos transportadores.

As "mulas" eram brasileiros recrutados entre operários da construção civil que recebiam promessas de trabalho em obras no exterior, mas que terminavam transportando cocaína com uma oferta de remuneração muito superior pelo trabalho.

A operação teve início com a detenção em Guarulhos de algumas das "mulas", que identificaram os brasileiros que os recrutavam e enviavam a Madri.

Segundo a Polícia Federal, uma autorização judicial permitiu que a polícia deixasse passar pela alfândega sem capturar nem avisar outros responsáveis das "mulas", para que pudessem segui-las e identificar os membros da quadrilha que recebiam a cocaína na Espanha e os possíveis chefes da organização.

A operação "só foi possível porque a Polícia Federal brasileira tem uma equipe na Espanha que intermediou toda a ação com as autoridades espanholas", diz a nota.

O resultado da operação foi anunciado dois dias depois que o Grupo de Entorpecentes da polícia espanhola detivesse no aeroporto de Barajas um brasileiro que tentava entrar na Espanha com 3,3 quilos de cocaína escondida às pernas com faixas.

As autoridades brasileiras não esclareceram a prisão foi parte da operação. 

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