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O artista dissidente chinês Ai Weiwei: o pintor e escultor de 55 anos espera poder viajar para cumprir compromissos
Pequim - "Eu posso nadar, mas não muito longe". É assim que o artista dissidente chinês Ai Weiwei, que está proibido de viajar para o exterior, descreve sua situação atual.
"Espero poder viajar. Esta é uma parte importante da liberdade. É também um direito humano", disse Ai em uma entrevista à AFP.
O pintor e escultor de 55 anos, cujo trabalho tem sido exibido em muitos museus ocidentais, passou 81 dias preso no ano passado quando a polícia reforçou a repressão contra a dissidência, por medo de um contágio pela "Primavera Árabe".
Em sua libertação, no dia 22 de junho de 2011, as autoridades acusaram Ai de evasão fiscal e proibiram o artista de deixar Pequim durante um ano. Esta medida foi retirada na semana passada. Mas o seu passaporte não foi devolvido.
Em seu atelier, Ai Weiwei explica que seus planos para expor e ensinar no exterior estão comprometidos.
Ele perdeu a inauguração de um pavilhão de teto flutuante na Serpentine Gallery, em Londres, e só conseguiu participar via Skype.
Espera poder viajar a Washington em outubro para uma exposição de suas obras no Museu Hirshhorn, e aceitar um convite para lecionar em Berlim.
"Eu tenho um monte de atividades nas áreas da arte, design e arquitetura para os próximos dois anos e que vão acontecer no exterior, porque não são permitidas na China", contou.
"Impedir-me de deixar a China irá influenciar esses eventos", assegura, acreditando que as restrições impostas sobre ele "vão parar projetos e intercâmbios culturais".
A polícia explicou que a retirada do seu passaporte foi motivada pela suspeita de incitação a bigamia, pornografia e operações de câmbio ilegais.
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