Moscou - A polícia russa anunciou nesta segunda-feira o início de uma série de revistas de domicílios dos principais líderes opositores às vésperas de uma grande manifestação convocada contra o presidente Vladimir Putin.

As primeiras revistas foram feitas nas casas de Alexei Navalny, Ilia Yashin e Serguei Udaltsov, em função de uma investigação sobre uma manifestação anterior que terminou em desordens em massa, segundo um porta-voz do Comitê de Investigação da agência Interfax.

"O objetivo é torpedear a manifestação de terça-feira", declarou Ilia Ponomarev, do Movimento pelos Direitos Humanos, citado pela Interfax.

O Comitê de Investigação indicou que as operações são resultado das manifestações da oposição em 6 de maio passado, que reuniram 20.000 pessoas e resultaram em incidentes que causaram vários feridos.

Na sexta-feira, Putin anunciou que sancionou uma lei controversa que aplicará multas consideráveis para punir os participantes e organizadores de ações de protestos em caso de distúrbios.

"Não apenas assinei a lei, como também estudei o projeto enviado pela Duma" (a câmara baixa do Parlamento russo), afirmou Putin.

"Ao comparar esta lei com a legislação de outros países europeus - Alemanha, Itália, Espanha, Grã-Bretanha, França -, nossa lei não tem disposições que seriam mais duras que as previstas pelas leis similares nos países mencionados", acrescentou.

As multas previstas em caso de manifestação não autorizada ou em caso de alteração da ordem pública durante as manifestações que receberam o aval das autoridades podem chegar aos 300.000 rublos (7.300 euros) para as pessoas físicas.

Para as pessoas jurídicas - as organizações políticas, por exemplo -, a multa pode alcançar um milhão de rublos (mais de 25.000 euros).

Um relatório de especialistas do Conselho Consultivo para os Direitos Humanos ante o Kremlin afirma, no entanto, que esta lei viola o artigo 31 da Constituição, que garante a liberdade de se manifestar.

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