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Investigação | 12/09/2012 16:57

Polícia alterou provas da tragédia de Hillsborough

"A polícia alterou as provas sobre o ocorrido e tratou de jogar a culpa dos torcedores", afirmou o primeiro-ministro David Cameron

REUTERS

David Cameron se pronuncia sobre tragédia de Hillsborough

David Cameron: o premiê pediu desculpas diante da Câmara dos Comuns, pelo que classificou como "dupla injustiça", sofrida pelos familiares dos mortos

Londres - Um relatório independente revelou nesta quarta-feira que a polícia britânica alterou provas da investigação sobre a tragédia de Hillsborough para poder culpar apenas os torcedores pelo desastre que deixou 96 torcedores do Liverpool mortos em 1989.

Após conhecer o conteúdo do documento, elaborado a partir de dados oficiais tornados públicos no ano passado, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, pediu desculpas diante da Câmara dos Comuns, pelo que classificou como "dupla injustiça", sofrida pelos familiares dos mortos.

O premiê lamentou as tentativas de ocultar as informações por parte da polícia, modificando "significativamente" 164 depoimentos e eliminando outros 116. A intenção era eliminar qualquer declaração que pudesse questionar o trabalho da corporação.

"A polícia alterou as provas sobre o ocorrido e tratou de jogar a culpa dos torcedores", afirmou Cameron, que ressaltou outros dois erros judiciais apontado no documento: a incapacidade das autoridades para proteger os torcedores e o "duvidoso" relatório legista original.

Durante a semifinal da Copa da Inglaterra, entre Liverpool e Nottingham Forest, em 15 de abril de 1989, 94 pessoas morreram por asfixia ou parada cardíaca, esmagadas contra as grades da arquibancada do estádio do Sheffield Wednesday. Outras duas pessoas faleceram nos dias posteriores.

O primeiro relatório do juiz legista determinou que as vítimas sofreram asfixia traumática que teria os deixado inconscientes em poucos segundos, causando a morte minutos depois. Assim sendo, concluía-se que ainda naquela tarde nada se podia fazer para evitar as mortes.

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