São Paulo – Há quem diga que a vida na cidade grande passa rápido e que as horas do dia são insuficientes para dar conta dos inúmeros compromissos assumidos. Ao que parece, não são apenas os humanos que sofrem os efeitos da excitação e correria urbana. Os pássaros também levam uma vida mais apressada na cidade que na floresta.

Um estudo publicado na revista científica Proceedings of The Royal Society revela que os estímulos das áreas urbanas alteram o relógio biológico das aves citadinas, que desfrutam de menos horas de sono que seus pares das regiões rurais.

Os pesquisadores mediram os ritmos circadianos - o ciclo de 24 horas de atividade biológica - de melros urbanos e rurais no sul da Alemanha. A análise mostrou que as aves da cidade apresentavam um perfil “madrugador”: elas acordavam mais cedo e descansavam menos do que as aves que habitam florestas.

Em entrevista à BBC, a pesquisadora Barbara Helm, do Instituto da Universidade de Glasgow, exmplicou que em média, as aves urbanas começam suas atividades diárias cerca de 30 minutos antes do amanhecer, enquanto aves florestais começaram o dia junto com o nascer do sol.

De acordo com o estudo, a luz e o ruído antropogênico modificam as diferenças entre o dia e a noite, e acabam interferindo nos relógios biológicos. Embora o estudo tenha se baseado em apenas duas populações de pássaros, os pesquisadores destacam que a vida na cidade pode afetar outros organismos que colonizam habitats urbanos, e modificar significativamente ritmos biologicamente importantes de organismos selvagens.

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