Neste domingo (20) o presidente dos EUA, Barack Obama, chega a Cuba para uma visita histórica. Faz 88 anos que nenhum mandatário dos EUA coloca os pés na ilha.

Engana-se, no entanto, quem pensa que a visita começou a ser arquitetada apenas em fevereiro, quando foi oficialmente anunciada.

A possibilidade já se delineava lá em dezembro de 2014, quando os dois países anunciaram o restabelecimento dos laços diplomáticos - após décadas de rompimento.

Antes do anúncio, os dois países já negociavam a reconciliação secretamente, havia pelo menos 18 meses - ou seja, tudo começou ainda em 2013.

Obama chega à ilha no domingo (20), e tem compromissos oficiais em Cuba na segunda (21) e na terça-feira (22). De acordo com a Casa Branca, Obama e Fidel não vão se encontrar. O mandatário dos EUA deve se reunir apenas com Raúl Castro, atual presidente de Cuba - e a pauta deve ser essencialmente política e econômica.

Além do encontro com Castro, outra cereja do bolo da visita de Obama é um discurso histórico que ele fará em Havana. Segundo meios de comunicação americanos, ele vai pedir mais liberdade ao povo cubano. Há ainda a expectativa, não confirmada, que a fala do mandatário seja transmitida em rede nacional de TV.

Obama também vai encontrar dissidentes, participar de uma partida de baseball e de uma cerimônia em homenagem à Igreja Católica, instituição que teve papel fundamental na negociação de reaproximação entre as duas nações.

Obama vai à ilha acompanhado da mulher, Michelle, e das filhas Malia e Sasha. A primeira-dama, aliás, deve se encontrar com estudantes cubanas, algumas que chegaram a estudar nos EUA. Segundo o Guardian, ela vai levar perguntas de jovens americanas que estão curiosas sobre a vida no país.

"Agrados"

Apesar da reaproximação, o embargo - que existe desde o começo da década de 1960 - ainda segue firme e forte, e só será suspenso com o aval do Congresso, de maioria republicana.

Mesmo com o embargo, os EUA já adotaram uma série de medidas menores que dependem apenas do poder Executivo, que agradaram Cuba e que tornaram a relação dos dois países bem mais próximas.

A mais recente foi divulgada na última terça-feira (15), a menos de uma semana da chegada de Obama na ilha, que fica a menos de 150 km da Flórida, quando os EUA anunciaram novas medidas para tornar muito fácil a visita de norte-americanos a Cuba e para que o governo comunista da ilha possa promover o comércio internacional há muito restrito.

Autoridades dos EUA expressaram a esperança de que o novo relaxamento das regras financeiras e de viagens possa incentivar o governo comunista a responder com reformas econômicas que vêm demorando a se concretizar.

As novas medidas permitirão que os norte-americanos viajem com mais facilidade para Cuba independentemente de terem propósitos educacionais, culturais e de outros tipos, e que até então requeriam autorização, e sem ter que fazer parte de grupos de turistas. É claro que a medida é uma via de mão dupla: com a autorização, os EUA ajudam a encher os voos comerciais que saem do país para a ilha.

As alterações anunciadas na terça também podem abrir o caminho para as equipes da principal liga de beisebol norte-americana eventualmente contratar jogadores cubanos sem que esses tenham que desertar.

Os cubanos poderão a partir de agora receber salário ou pagamento nos Estados Unidos sem necessidade de renunciar à cidadania cubana, o que pode abrir as portas dos EUA também para artistas cubanos.

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