Cebu - A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou que muitas das vítimas do tufão Haiyan nas Filipinas ainda não receberam ajuda devido a problemas logísticos, quando completam seis dias do desastre nesta quinta-feira.

"Um grande número de pessoas ainda não recebeu assistência, sobretudo nas ilhas mais periféricas, onde o governo filipino e as agências internacionais ainda não conseguiram ter acesso", assinalou ontem à noite a ONG em comunicado.

A MSF afirmou que estão utilizando todos os meios possíveis para chegar às áreas afetadas na região central das Filipinas, como o norte da ilha de Cebu, o leste da ilha de Samar, a ilha de Panay e o oeste da província de Leyte, para avaliar a situação e prestar atendimento médico.

"O acesso é muito difícil e (a situação) está impedindo que as pessoas recebam ajuda. Nossa prioridade é chegar aos que estão nas áreas mais isoladas. São os mais difíceis de alcançar e, frequentemente, os últimos a receber a tão necessitada ajuda", explicou Natasha Reyes, coordenadora de emergências da MSF nas Filipinas.

Uma equipe da MSF se deslocou em um avião até Guiuan, cidade de 45 mil habitantes no leste de Samar, uma das primeiras áreas atingidas pelo tufão e onde observaram que os danos são grandes e as necessidades, imensas.

"O panorama é desolador. A cidade foi arrasada. Casas, estruturas médicas, plantações de arroz, barcos pesqueiros, tudo foi destruído. As pessoas estão vivendo à intempérie, não há um teto sequer em toda Guiuan", explicou Alexis Moens, chefe da equipe de avaliação da MSF.

"As necessidades são imensas e há uma grande quantidade de pessoas dos arredores que ainda não receberam cobertura de nenhuma das organizações de ajuda", acrescentou.

Moens descreveu cenas de desespero, como a de um homem que tentou se suicidar após perder toda sua família, uma história que "infelizmente" chega de muitos lugares de Visayas Oriental, a região mais afetada pelo desastre.

Segundo o site de notícias "Rappler", os sobreviventes em Guiuan atacaram os guardas que vigiavam os comércios para saquear alimentos, após vários dias sem comida, água e remédios.

Uma das cidades mais atingidas pelo tufão, Guiuan sentiu a chegada de Haiyan, batizado localmente como Yolanda, como uma "bomba atômica" que ensurdecia os ouvidos e fez voar os telhados e os carros, segundo relatos de uma testemunha ao site filipino.

O governo e as agências internacionais reconhecem que foram afetados pelos enormes problemas logísticos provocados por um tufão de força sem precedentes e pela precária situação da região, atingida no mês passado por um forte terremoto e vários tufões.

Além da falta de alimentos e água, outros problemas são o perigo de epidemias de pneumonia, tifo e outras infecções, assim como a falta de segurança em muitas áreas, onde o tufão assolou as poucas posses de uma grande parte da população que já sofria com a pobreza.

A MSF afirmou que a cidade de Roxas, na ilha de Panay, foi destruída em 50%, enquanto em Cebu "a maior parte da população desabrigada parece ter sido acolhida por parentes e por suas comunidades".

A ONG disse que está aumentando sua resposta com rapidez, e nos próximos dias contará com mais de 100 pessoas na região, inclusive "médicos, cirurgiões, enfermeiros, pessoal de logística, psicólogos e especialistas em água e saneamento".

Além disso, vão enviar nove aviões com material de ajuda dos armazéns internacionais da MSF no mundo todo com provisões médicas, materiais de cobertura, kits de higiene e equipes de água e saneamento. Três destes aviões já chegaram a Cebu.

Pelo menos 2.357 pessoas morreram e outras 3.853 ficaram feridas nas Filipinas, principalmente nas ilhas de Leyte e Samar, segundo o último balanço de vítimas do tufão Haiyan, o terceiro maior desastre natural em número de mortes na história recente do país. EFE

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