Milhares de peregrinos de todo o mundo e cristãos palestinos refizeram nesta sexta-feira em Jerusalém o caminho que Jesus percorreu carregando sua cruz até o local de sua crucificação, segundo a tradição cristã.

As estreitas ruelas entrelaçadas da Cidade Velha, localizada na parte palestina de Jerusalém, foram revistadas pela polícia israelense, mobilizada em maior número do que o habitual, de acordo com seu porta-voz Micky Rosenfeld.

Jerusalém, os territórios palestinos e Israel enfrentam uma onda de violência há quase seis meses.

Entre as barreiras colocadas pela polícia, os peregrinos carregavam grandes cruzes de madeira, cantando. Quase todos eram cristãos vindos dos quatro cantos do mundo, porque a maioria dos cristãos palestinos pertencem às Igrejas Orientais, que celebram a Páscoa no dia 1º de maio este ano.

"É maravilhoso estar aqui com todas essas pessoas de todo o mundo, caminhando juntos em paz", afirmou, muito emocionado, Carl-von Leo Honenthal, um protestante alemão de 31 anos.

Os comerciantes da Cidade Velha de Jerusalém afirmam que perderam grande parte de sua renda desde o início, no outono, do novo ciclo de violência entre israelenses e palestinos. Desde 1º de outubro, 200 palestinos e 28 israelenses foram mortos, de acordo com uma contagem da AFP.

Para Jihad Abu Diya, entrevistado pela AFP no momento da procissão, este ano é o "pior" porque, segundo ele, os peregrinos estrangeiros "não compram nada". Ele diz não esperar qualquer coisa desta temporada, apesar da celebração em Jerusalém pelos cristãos ortodoxos da Páscoa, principalmente russos, por causa da queda do rublo.

Como parte das comemorações que antecedem a festa da Páscoa, os fiéis percorrem em procissão a Via Crucis, localizada no setor oriental de Jerusalém, palestino, mas ocupado e anexado por Israel desde 1967.

A Via Crucis inclui 14 estações, onde Jesus, segundo os Evangelhos, encontrou sua mãe, caiu, recebeu ajuda para carregar a cruz, e encontrou mulheres em lágrimas.

A procissão termina na Igreja do Santo Sepulcro, construída sobre o suposto túmulo de Cristo.

Os cristãos representavam mais de 18% da população na Terra Santa durante a criação do Estado de Israel, em 1948, mas agora são menos de 2%, em sua maioria ortodoxos.

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