São Paulo - A crise da Grécia está longe de se estabilizar, mas nem por isso os gregos deixaram a empatia e a solidariedade de lado.

Eles têm uma lição a nos ensinar quando se trata de humanidade e receptividade.

Constantina Tsouklidou é uma das pessoas afetadas pelo desemprego no país -- que já tem mais de 1 milhão nessa situação, de acordo com a Reuters — e lidera o grupo de voluntários que apoiam os milhares de refugiados que desembarcam no porto de Piraeus.

Com brinquedos e comidas em mãos, ela é assertiva quando diz que tem um papel a cumprir, em entrevista à agência de notícias britânica:

"Não tenho uma renda, mas tenho filhos. A população grega tem que ajudar, em maior ou menor grau, os refugiados. Nós não somos como a Europa central."

O país de ilhas paradísicas está em seu oitavo ano de recessão econômica.

Os índices de desemprego já chegam a 24,6%, de acordo com a agência de estatísticas ELSTAT, e, pelo menos 25 mil pessoas estavam 'presas' no porto grego quando Tsouklidou e outros voluntários trabalhavam.

Os refugiados estavam a caminho de outros países com melhor situação econômica, mas foram barrados. Isso porque há uma grande falha em se criar um acordo político efetivo entre as nações para lidar com uma das piores crises humanitárias da história.

A Áustria e outros países da Península Balcânica impuseram restrições às migrações em suas fronteiras limitando o número de pessoas que podem atravessar os territórios — policiais macedônios usaram gás lacrimogênio para dispersar os refugiados, segundo a Reuters.

A situação preocupa os gregos, que continuam ajudando os refugiados. Kyriakos Sarantidis dirige sua mini van até o porto e distribui pratos de comidas.

"Estou realmente preocupado com o que vai acontecer se as pessoas continuarem fechando as fronteiras."

O Ministro de Migrações da Grécia disse que, nas próximas semanas, o país pode chegar a receber 70 mil pessoas fugindo das guerras e da pobreza no Oriente Médio.

Além do porto, a Victoria Square, em Atenas, é área de concentração de centenas de refugiados sem-tetos.

Os gregos fizeram um mutirão para distribuir comidas e medicamentos após imagens de famílias vivendo em caixas de papelão em pleno inverno terem sido veiculadas.

Eleftheria Baltatzi , um aposentado de 73 anos de idade, foi uma das muitas pessoas que viram as imagens de crianças doentes na televisão e foi até a praça ajudá-los.

"Eu distribuí remédios e sanduíches. Nós [a Grécia] também temos pessoas passando fome e precisando de ajuda, mas eles têm uma necessidade muito maior."

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