Kuala Lampur - O governo da Malásia se defendeu nesta quarta-feira, após ser acusado de informações confusas e contraditórias sobre o desaparecimento do avião da Malaysia Airlines no sábado com 239 pessoas a bordo, que ainda não foi localizado, apesar da ampliação do perímetro de buscas.

Os trabalhos de busca entraram no quinto dia com a ampliação do perímetro de busca ao Mar de Adamão, na costa oeste da Malásia, centenas de quilômetros ao noroeste da primeira zona rastreada.

As autoridades decidiram ampliar a área de busca após informações de radar que indicariam a "possibilidade" de o voo MH370 ter alterado sua rota sobre o Mar do Sul da China.

As buscas cobrem agora uma área total de mais de 90.000 km2, o equivalente ao território de Portugal. Doze nações, incluindo os Estados Unidos, China e Japão, participam das operações, que mobilizam 42 navios e 39 aviões.

Satélites de observação da Terra pertencentes a 15 países estão procurando o avião desaparecido em virtude de um acordo internacional.

A Carta Internacional sobre o Espaço e as Grandes Catástrofes indicou em seu site que a China ativou este acordo internacional que data de 2000.

Em virtude deste acordo, em casos de emergência, as 15 agências espaciais ou institutos nacionais signatários, pertencentes aos Estados Unidos, União Europeia, Japão, China, Índia, Argentina e Brasil, podem colocar seus satélites à disposição das operações de resgate.

"Temos que examinar todas as possibilidades", afirmou o diretor da aviação civil malaia, Azharuddin Abdul Rahman.

O Mar de Adamão é limitado ao sul pela ilha indonésia de Sumatra, e ao leste e ao norte por Tailândia e Mianmar (antiga Birmânia).

Questionada, a Força Aérea da Malásia - que evoca a possibilidade de o voo ter mudado seu trajeto- garantiu não ter mudado de ideia.

O exército "não excluiu a possibilidade de mudança no trajeto do voo", declarou o general Rodzali Daud em um comunicado. "O que explica o fato de as operações terem sido estendidas", acrescentou.

O general malaio desmentiu ainda que um radar tenha detectado a passagem da aeronave sobre o estreito de Malaca, como informou um jornal do país. Este estreito fica entre a península malaia, no lado oeste, e a ilha indonésia de Sumatra.

Mas o governo da Malásia não apresentou publicamente as análises dos radares nas quais baseia a hipótese de mudança de rumo inesperada do avião, que tinha em sua maioria passageiros chineses.

Segundo o embaixador da Malásia em Pequim, a última mensagem de rádio transmitida ao controle aéreo pelo Boeing 777 desaparecido foi "tudo bem, boa noite".

Estas palavras foram pronunciadas por um dos pilotos no momento em que a aeronave, que viajava entre Kuala Lumpur e Pequim, deixava o espaço aéreo malaio para entrar no do Vietnã, de acordo com Iskandar Sarudin, citado pelo jornal Straits Times de Cingapura.

A busca infrutífera e a comunicação aparentemente confusa das autoridades malaias provocam críticas dentro do país, da China e dos países participantes nas operações de busca.

"No momento, há muitas informações, mas bastante caóticas. Nós também temos dificuldades para confirmar se isto é correto ou não", disse o porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Qing Gang, ao ser questionado se o voo MH370 mudou de rumo.

O Vietnã anunciou a suspensão da busca aérea e que se limitava à operação marítima, até receber explicações sobre o novo perímetro.

Boatos e falta de informação

"Só existe confusão se você quer ver confusão", declarou o ministro malaio dos Transportes, Hishamuddin Hussein, ao rebater as críticas chinesas.

Mas os boatos e a falta de informação concreta provocam muitas teorias da conspiração entre os malaios. As autoridades também são acusadas de esconder dados importantes.

"Penso que a Malaysia Airlines e o governo malaio tentam encobrir ou esconder alguma coisa sobre o voo MH370", escreveu um internauta no Twitter, uma opinião que ganha adeptos.

"Por que tanta informação não confirmada?", questiona outro usuário da rede social.

Sobre os passageiros que embarcaram com passaporte falso, a Interpol verificou suas identidades e descartou qualquer relação com grupos terroristas, apesar de o diretor da CIA, John Brennan, ter afirmado que "não descartaria" a pista terrorista.

O secretário-geral da Interpol, Ronald K. Noble, declarou que a questão poderia ser "um tráfico de seres humanos".

Os dois passageiros foram identificados como cidadãos iranianos: Puria Nurmohammadi, de 18 anos, e Seyed Mohammed Reza Delavar, de 29. Os dois supostamente tentariam imigrar para a Europa.

Delavar, que viajava com um passaporte italiano roubado, pretendia pedir asilo na Suécia, segundo a polícia do país europeu.

O voo MH370 transportava 239 pessoas, incluindo dois menores de idade. Além de chineses, o Boeing 777-200 transportava malaios, indonésios, australianos, franceses, americanos, canadenses, russos e ucranianos.

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