O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pediu ao Parlamento de maioria opositora a prorrogação do decreto de emergência econômica - informou o presidente da Assembleia Nacional, Henry Ramos Allup.

Apesar do veto do Legislativo, o decreto entrou em vigor com apoio do Poder Judiciário.

"Maduro enviou à presidência da Assembleia Nacional uma solicitação para que a Assembleia considere a prorrogação do decreto de emergência que negamos", disse Ramos, no encerramento de uma manifestação convocada pela oposição para pedir a renúncia do presidente, realizada no município Chacao, ao leste de Caracas.

Desafiador, Ramos questionou o motivo pelo qual Maduro não compareceu ao Tribunal Supremo de Justiça (TSJ).

"Se Nicolás fosse coerente, teria mandado a solicitação para lá", criticou.

Em 15 de janeiro passado, Maduro promulgou um decreto - vigente por 60 dias - que autoriza seu governo a dispor de bens do setor privado para garantir o abastecimento de produtos básicos, limitar a entrada e a saída de moeda local em espécie e facilitar a entrega de divisas para agilizar as importações.

Embora a medida tenha sido vetada pela maioria de oposição no Parlamento, a Sala Constitucional do TSJ reconheceu sua legalidade e validou sua vigência.

A bancada opositora convocou para este domingo uma "sessão especial", na qual vai-se declarar em "debate permanente" até o próximo sábado, 19 de março. Neste dia, completa-se o prazo para anunciar se apoiam, ou se rejeitam, a prorrogação.

Ovacionado pelos manifestantes, Ramos disse que, nos últimos dois meses, o decreto "não serviu para porra nenhuma".

"Não somos moleques. Moleque é o governo, e moleques são seus comparsas judiciários", bradou Ramos, após convocar o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, e a presidente do TSJ, Gladys Gutiérrez, a participarem de um debate "transmitido em rede nacional".

Tópicos: Nicolás Maduro, Políticos, Política, Venezuela, América Latina