Berlim - Listas da organização terrorista Estado Islâmico (EI) com nomes e dados de milicianos estrangeiros caíram nas mãos dos serviços de segurança ocidentais, informou nesta terça-feira a imprensa alemã, que também disse ter tido acesso a parte dessa documentação.

O jornal "Süddeutsche Zeitung" explicou em sua edição de hoje que chegou aos documentos, da mesma forma que as televisões NDR e WDR, graças a um colaborador que trabalha perto da fronteira entre Turquia e Síria.

Segundo o jornal, todo voluntário que chega à região controlada pelo EI na Síria tem que responder a um questionário com 32 perguntas.

Além de dar dados pessoais e de contato de pessoas próximas para avisar em caso de morte, o voluntário deve dizer se está disposto, por exemplo, a trabalhar como espião, combatente ou terrorista suicida.

O vazamento, segundo o mesmo jornal, é um reflexo da difícil situação econômica atual do EI, gerada pela queda dos preços do petróleo e os bombardeios, que reduziram o soldo dos combatentes.

Essa situação, acrescentou, deixou muitos milicianos da organização mais propensos ao suborno e ofereçam dados de EI, como essas listas.

O Escritório Federal contra o Crime (BKA) da Alemanha, consultado pelo jornal, afirmou considerar as listas autênticas.

Há uma série de indícios que apontam para sua autenticidade, como os números de telefone de familiares de jihadistas que morreram como terroristas suicidas na Síria.

Os documentos, que também estão em poder das autoridades, podem abrir novos processos por filiação a grupo armado ou dar um novo giro nos já em andamento.

O jornal usou como exemplo o caso de Kerim Marc B., cidadão turco-alemão detido após retornar da Síria que foi indiciado na quarta-feira passada em Düsseldorf por filiação a grupo armado.

Até agora, a acusação se baseava quase exclusivamente em chats com amigos e parentes, mas as listas do EI - em que o nome dele aparece - pode dar novos argumentos à promotoria.

Outro caso é o de Abdelkarim B e sua esposa Angelique, que foi detida em um aeroporto turco com uma bomba que aparentemente tinha sido entregue por seu marido.

As acusações iniciais contra eles eram de planejar um atentado e posse ilegal de armas, diante da dificuldade de demonstrar sua filiação ao grupo terrorismo, mas o surgimento das listas pode mudar a situação deles.

Os documentos incluem também nomes de pessoas que, após retornarem da Síria, negaram à polícia ter tido qualquer contato com o EI, e que alegara que a viagem ao país só teve razões humanitárias.

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