La Paz, 28 fev (EFE).- Uma juíza da Bolívia ordenou neste domingo a prisão preventiva de Gabriela Zapata Montaño, ex-namorada do presidente Evo Morales, a quem o governo acusou de suposta legitimação de lucros ilícitos, enriquecimento ilícito e tráfico de influência.

A juíza Margot Pérez ordenou a detenção preventiva de Zapata na prisão para mulheres de Obrajes, em La Paz, em uma audiência cautelar realizada hoje nesta cidade, sede do governo.

A procuradoria pediu que a empresária seja presa devido a um possível risco de fuga, argumento aceito por Pérez.

Zapata foi detida na sexta-feira dentro de uma acusação pelos supostos delitos de legitimação de lucros ilícitos, enriquecimento ilícito de particulares com afetação ao Estado e cumplicidade no uso indevido de influências.

Na acusação estão incluídos dois funcionários do Ministério da Presidência boliviano.

A empresária foi namorada do presidente Morales entre 2005 e 2007 e dessa relação nasceu uma criança.

O governante assegurou que o menor morreu pouco após nascer, mas uma tia de Zapata e sua advogada afirmaram nas últimas horas que a criança está viva.

Zapata era até uma semana atrás gerente comercial na Bolívia da empresa chinesa CAMC Engineering (Camce), que nos últimos anos assinou contratos com o governo Morales no valor de US$ 566 milhões, a maioria por convite direto depois que licitações foram descartadas.

A relação de Gabriela Zapata com Morales e os contratos que a Camce fechou com o Estado surgiram de uma denúncia do jornalista Carlos Valverde sobre um suposto tráfico de influência, que o presidente e sua ex-namorada negaram.

A pedido do presidente, as contratações estatais com a empresa chinesa estão sendo investigadas pela Controladoria Geral do Estado, dirigida por um governista, e por uma comissão no parlamento, onde o partido de Morales tem maioria.

Nesta semana o governo concretizou a cobrança de garantias bancárias de US$ 22,8 milhões da Camce como forma de puni-la por descumprimentos na construção da ferrovia Bulo Bulo-Montero, entre as regiões de Cochabamba, no centro, e Santa Cruz, no leste.

Além disso, o Executivo decidiu excluir a empresa chinesa das licitações que serão abertas para construir estradas que serão financiadas com um crédito do país asiático no valor de US$ 7 bilhões. EFE

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