Londres - A China deveria interditar mercados que vendem aves vivas nas grandes cidades a fim de evitar a expansão de uma nova cepa da gripe aviária que voltou a circular neste mês, disseram cientistas, após concluírem que interdições anteriores levaram a uma forte redução no número de casos da doença entre humanos.

Em estudo publicado na quinta-feira pela revista médica The Lancet, pesquisadores de Hong Kong e da China disseram que, apesar dos prejuízos financeiros, a interdição de mercados chineses no auge do primeiro surto da gripe aviária H7N9, em abril, reduziu em mais de 97 por cento o número diário de casos novos da doença.

"É uma intervenção altamente eficaz para prevenir a doença entre humanos e proteger a saúde pública", disse Benjamin Cowling, da Universidade de Hong Kong, que comandou o estudo.

Segundo ele, é recomendável que esses mercados voltem a ser interditados em lugares nos quais o vírus H7N9 voltar a se espalhar no inverno, como é esperado.

Dois novos casos humanos da doença foram diagnosticados em outubro na província de Zhejiang, no leste da China.

"Isso causa grande preocupação, porque revela que o vírus H7N9 continuou a circular e agora tem potencial para reemergir em um novo surto de doença humana neste inverno", disse Cowling, ecoando temores semelhantes manifestados por pesquisadores chineses em um estudo publicado na semana passada.

Cerca de 45 pessoas já morreram por causa do vírus H7N9, a maioria em março e abril -- logo depois dos primeiros casos registrados entre humanos, em fevereiro.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz já ter registrado 137 casos confirmados em laboratório, sugerindo que a taxa de mortalidade da doença é superior a 30 por cento.

No começo de abril, semanas depois do diagnóstico dos primeiros casos humanos dessa gripe aviária, 780 mercados avícolas nas cidades de Xangai, Hangzhou, Huzhou e Nanjing foram interditados numa tentativa de conter a difusão do vírus.

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