São Paulo - Hillary Clinton foi alvo de críticas por comentários feitos ontem após o funeral de Nancy Reagan, esposa do ex-presidente Ronald Reagan.

Em entrevista para a rede americana MSNBC, a ex-secretária de Estado e pré-candidata do Partido Democrata à presidência disse que o casal havia ajudado a disparar uma "conversa nacional" sobre a AIDS.

“Pode ser difícil para os seus espectadores lembrar como era difícil fazer as pessoas falarem sobre HIV/AIDS nos anos 80. E por causa de tanto o presidente como a Sra. Reagan, em particular, nós começamos uma conversa nacional antes que ninguém falasse disso, ninguém queria fazer nada em relação a isso, e é algo valorizado, com seu apoio discreto e muito efetivo, mas que penetrou na consciência pública e as pessoas começaram a dizer: "ei, precisamos fazer algo em relação a isso também".

Veja no vídeo:

O problema é que em relação a AIDS o casal Reagan não foi nada pioneiro, fruto da relutância conservadora de ter qualquer associação com homossexuais, na época os principais afetados, e o uso de preservativos, rejeitado por sua base religiosa.

A primeira vez que o presidente citou a palavra foi em 1985 e seu primeiro discurso sobre o assunto foi em maio de 1987, quando mais de 25 mil pessoas já haviam morrido da doença só nos Estados Unidos.

Antes disso, o porta-voz da presidência respondeu com escárnio em diversas ocasiões a perguntas da imprensa sobre a doença e suas vítimas.

Documentos revelados pelo BuzzFeed mostram que Nancy Reagan negou um pedido de transferência de hospital solicitado pelo ator Rock Hudson, seu amigo, pouco antes dele falecer de complicações relacionadas a AIDS.

Diante das críticas generalizadas, Hillary se retratou rapidamente: “Apesar dos Reagans terem sido fortes apoiadores da pesquisa com células tronco e da busca por uma cura para o Alzheimer, eu falei errado sobre seu passado em relação a HIV e AIDS. E por isso, sinto muito."

Tópicos: Aids, Doenças, Epidemias, Estados Unidos, Países ricos, Hillary Clinton, Políticos