Bruxelas - O Greenpeace mostrou nesta quinta-feira sua preocupação perante a possibilidade da Comissão Europeia (CE) aprovar a comercialização do milho 1507 apesar dos receios despertados em alguns cientistas e do Executivo comunitário ter negado que vai tomar uma decisão a respeito, pelo menos por enquanto.

As provas realizadas com esta cepa deixaram algumas "lacunas" sobre o impacto de que seu uso ocasionaria em "polinizadores como a borboleta e a traça", disse nesta quinta-feira em comunicado a organização ambientalista.

Para o diretor de política agrícola do Greenpeace Europa, Marco Contiero, aprovar sua distribuição seria "uma decisão imprudente que colocaria as biotecnologias na frente dos cidadãos".

As sementes de milho 1507 são alteradas para produzir durante sua germinação uma toxina conhecida como Bt(2), resistente ao uso de um potente herbicida composto de glufosinato de amônio.

A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA) reconheceu em 2011 que "a propagação dessa toxina poderia ser prejudicial para a biodiversidade", afirmam desde Greenpeace.

Perante informações jornalísticas que apontam que a CE decidirá na próxima quarta-feira se dá sinal verde ao cultivo desta cepa propriedade do produtor americano Pioneer, o porta-voz comunitário de Saúde, Frédéric Vincent, negou hoje em entrevista coletiva diária da instituição esta medida.

O assunto figurará na agenda da reunião dos comissários do dia 6 de novembro, mas se trata de analisar "as consequências legais de uma decisão do Tribunal" geral da União Europeia (UE) e "não tem nada a ver com nenhuma autorização".

O Tribunal geral da UE criticou em setembro a Comissão por uma "demora indevida" no processo de avaliação do milho 1507 após uma denúncia apresentada por Pioneer.

"A Corte nos pediu que levemos em conta sua sentença. A CE discutirá os resultados desta decisão jurídica, mas não tem nada a ver com uma autorização", assinalou Vincent.

"Trata-se de falar das consequências legais que teremos que ver, quais serão os próximos passos e como decidir em uma etapa mais tarde em uma forma legal correta", recalcou.

Se for autorizada em algum momento o milho 1507, seria o primeiro transgênico em mais de três anos que obtém essa permissão nas hortas europeias.

No entanto, Contiero considera que, dado "seu potencial prejudicial e as ocos enormes nas provas de segurança, a CE deveria repeli-la".

"O fracasso comercial dos cultivos transgênicos na Europa demonstra que nem consumidores nem agricultores os querem", conclui.

O único cultivo modificado geneticamente que segue crescendo em solo europeu é o milho MON810, propriedade da Monsanto, segundo a organização. 

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