Uma nova mesquita em Copenhague, capital da Dinamarca, tem todas as características de uma casa de oração muçulmana tradicional, exceto pelo fato de que a Mesquita Mariam é liderada totalmente por mulheres imãs, ou pregadoras no culto islâmico.

A fundadora da mesquita, Sherin Khankan, uma conhecida escritora e comentarista política na Dinamarca, disse ao jornal dinamarquês Politiken que decidiu abrir o templo Mariam, em fevereiro, porque “nunca se sentiu em casa nas mesquitas existentes”.

“Muitas mulheres e jovens nem sequer entram nas mesquitas, que são um espaço patriarcal dominado por homens, no qual um homem tem o chão [para orar], [onde] um homem lidera as orações; os homens são o foco e dominam. É por isso que estamos abrindo uma mesquita sob os nossos termos”, disse Khankan.

Tradicionalmente, homens e mulheres sentam separados durante o culto nas mesquitas, muitas vezes com divisórias entre eles.

Algumas mulheres dizem que essas imposições de separação afetam sua experiência de louvor, ao bloquear a visão do imã.

Khankan, que é uma das imãs na Mesquita Mariam, considera a casa de oração um “projeto feminista”.

“Normalizamos estruturas patriarcais em nossas instituições religiosas. Não apenas no islã, mas também no judaísmo, cristianismo e outras religiões. E gostaríamos de desafiar isso”, disse Khankan à agência France Presse.

A mesquita ficará aberta aos homens na maioria dos dias, exceto nas preces de sexta-feira, segundo a AFP.

Mesquitas de mulheres existiram na China por várias centenas de anos, mas começaram a surgir em outras partes do mundo apenas recentemente.

Uma mesquita só para mulheres abriu as portas em Los Angeles no ano passado, com a esperança de “aumentar o acesso das mulheres ao conhecimento islâmico, encorajando a participação feminina nas mesquitas existentes, e promovendo tanto a liderança quanto o conhecimento islâmico — ambos dentro e fora da comunidade muçulmana”, disse uma das fundadoras ao The Huffington Post.

Embora as mulheres normalmente liderem os cultos em tais mesquitas, há um debate atual sobre se as mulheres podem ou devem ser imãs.

Em 2006, o Marrocos se tornou o primeiro país árabe a permitir a formação de líderes religiosas. A iniciativa foi “uma rara experiência no mundo muçulmano”, afirmou Merieme Addou, coprodutora de um documentário sobre essa nova geração de mulheres imãs.

“Muitos pensam que o islã oprime as mulheres e restringe suas liberdades, mas isso é devido às tradições, que não têm nada a ver com o islã”, Addou disse à Reuters, em entrevista no ano passado. “Homens e mulheres são iguais em nossa religião. Não há diferença.”

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