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Direitos | 26/07/2012 17:13

Cuba propõe diálogo aos EUA, mas em igualdade de condições

"O dia que quiserem, a mesa está servida. Já disse pelos canais diplomáticos correntes. Se querem discutir, discutiremos", disse Raúl Castro

Adalberto Roque/AFP

Raúl Castro, presidente cubano

Raúl Castro: como era esperado, não houve nenhuma alusão à morte do opositor cubano Oswaldo Payá, que morreu em um acidente de trânsito no último domingo

Havana - O presidente de Cuba, Raúl Castro, voltou a propor aos Estados Unidos nesta quinta-feira um diálogo sobre tudo, inclusive sobre direitos humanos, porém em igualdade de condições, durante um improvisado discurso que fechou os atos pelo "Dia da Rebeldia Nacional" na província leste de Guantánamo.

Vestido com seu uniforme verde-oliva, Castro comandou a comemoração e rompeu seu silêncio dos últimos dois anos no evento ao subir na tribuna para falar, entre brincadeiras, sobre assuntos da economia interna e da disputa política entre a ilha e os EUA.

"O dia que quiserem, a mesa está servida. Já disse pelos canais diplomáticos correntes. Se querem discutir, discutiremos", disse Raúl Castro em referência à sua disposição de conversar com Washington sobre todos os assuntos, inclusive a liberdade de imprensa e os direitos humanos.

Mas, como também fez em outras ocasiões, o líder cubano especificou que deve ser um diálogo em igualdade de condições porque a ilha não é nem colônia nem um país submisso.

Além disso, denunciou as "facções" que, amparadas por Washington, tentam criar em Cuba bases "para que um dia aqui aconteça o que aconteceu na Líbia ou o que pretendem fazer com a Síria", e acrescentou que se os EUA querem "confronto" com a ilha "que seja apenas com a bola (beisebol) ou em qualquer tipo de esporte".

As palavras de Raúl Castro vieram depois que o primeiro vice-presidente de Cuba, José Ramón Machado Ventura, pronunciou o discurso principal do ato, quando denunciou que os Estados Unidos violam o direito internacional por manter uma base em Guantánamo, no extremo leste da ilha.

Machado Ventura, a quem o general Castro delega os discursos pelo "Dia da Rebeldia Nacional" desde 2010, ressaltou que Cuba não desistirá de recuperar o território onde se encontra a base americana em Guantánamo, ocupado em virtude de um acordo que ambos países assinaram em 1903 depois que a ilha se tornou independente da Espanha.

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