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Eleições | 14/08/2012 18:04

Chávez não economiza adjetivos para seus rivais no pleito

"Ele consegue escolher um adjetivo que se transforma em uma espécie de lema da campanha", acrescentou o analista

Laura Barros, da

©AFP / Juan Barreto

O presidente venezuelano Hugo Chávez durante comício de início de campanha para sua reeleição

Hugo Chávez: em sua opinião, chega inclusive a um "confronto que chega ao âmbito pessoal" com alusões a aspectos físicos

Caracas - Desde a campanha de 1998 contra o "frijolito" Henrique Salas até a atual, contra o "majunche" Henrique Capriles, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, buscou adjetivos, epítetos e até insultos pessoais em uma estratégia que para analistas é voltada ao voto chavista e a construir um "inimigo".

Com experiência política depois de três eleições em que conquistou o apoio popular nas urnas, Chávez volta a usar expressões comuns do vocabulário venezuelano para chamar de "majunche" (medíocre) seu rival e, por extensão, "majunches" e não mais "esquálidos" a seus opositores.

O ex-tenente-coronel que em 1998 ganhou poder com o movimento Quinta República, agora busca a reeleição para um quarto mandato consecutivo a fim de "ultrapassar a barreira da irreversibilidade" e fazer com que a revolução socialista que lidera "não tenha volta".

Para o especialista em comunicação e professor universitário Andrés Cañizalez, a estratégia de Chávez se baseou ao longo de suas campanhas em discurso que "permanentemente adjetiva" e com o qual tenta "desqualificar seus adversários".

"Ele consegue escolher um adjetivo que se transforma em uma espécie de lema da campanha", acrescentou o analista, que considera que com essa linguagem Chávez "procura unificar seus seguidores", dar a eles assunto, identificação e "um inimigo".

Daí que seu discurso alcançou opositores "escuálidos", palavra que introduziu em 2001 ao vocabulário do chavismo, e atravessou fronteiras com a troca de farpas que protagonizou em 2006 com o ex-presidente peruano Alan García.

García foi rotulado pelo líder como "corrupto e ladrão" depois que o então candidato o chamou de "sem-vergonha".

Já em 2000, quando buscava sua primeira reeleição, o alvo de Chávez foi seu antigo companheiro de armas e, hoje, grande aliado, Francisco Arias Cárdenas, candidato chavista ao governo do estado petroleiro de Zulia, que chegou a chamar "Judas" e "Frijolito II".

"Frijolito" era o nome de um cavalo branco que Henrique Salas usou como símbolo de sua campanha em 1998.

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