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Protestos | 04/06/2012 12:26

Centenas são presas na China no 23º aniversário de massacre

Pequim ainda manifestou o seu desagrado após um pedido de Washington pela libertação dos manifestantes que continuam detidos desde a primavera de 1989

Philippe Lopez/AFP

Ativistas preparam manifestação em Hong Kong

Ativistas preparam manifestação em Hong Kong

Pequim - Centenas de ativistas dos direitos Humanos da China foram presos em uma atmosfera tensa, por ocasião do 23º aniversário da repressão do movimento pró-democracia de Tiananmen (Praça da Paz Celestial), enquanto Pequim manifestou o seu desagrado nesta segunda-feira após um pedido de Washington pela libertação dos manifestantes que continuam detidos desde a primavera de 1989.

O pedido feito no domingo pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos constitui uma interferência "nos assuntos internos da China e acusações infundadas contra o governo chinês", afirmou Liu Weimin, porta-voz da diplomacia chinesa, expressando o "forte descontentamento" do país.

O aniversário de Tiananmen continua sendo uma data delicada para o regime comunista. Especialmente este ano, ficará marcado por disputas pelo poder antes do 18º Congresso do Partido Comunista da China (PCC), no outono no hemisfério norte, quando uma nova geração de líderes chegará ao poder.

Mais de duas décadas depois do movimento, cuja repressão sangrenta por parte do exército provocou centenas ou milhares de mortes, a China ainda o considera uma "rebelião contrarrevolucionária" e se recusa a considerar compensações para parentes das vítimas.

"O governo e o partido chegaram a uma conclusão clara sobre este incidente", ressaltou Liu.

Quase uma dúzia de pessoas continuam presas por envolvimento nos acontecimentos da "segunda primavera de Pequim", na qual mais de 1.600 chineses foram condenados a penas de prisão, de acordo com a fundação Duihua (Diálogo), com sede Estados Unidos.

O governo tenta evitar qualquer discussão pública ou lembrança dos acontecimentos de 1989, e o assunto permanece tabu para a imprensa estatal.

Nas redes sociais, qualquer pesquisa sobre o 4 de junho, o número 23 (referência ao 23º aniversário) e a palavra "vela" foi bloqueada nesta segunda-feira.

Em Pequim, cerca de mil pessoas de diferentes regiões foram presas e enviadas de volta para seus locais de origem nos dias que antecederam este 4 de junho, informou à AFP um manifestante.

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