São Paulo – A China cresce e se urbaniza em ritmo frenético, mas nem todos parecem acompanhar esse desenvolvimento do país. Alguns chineses preferem ficar exatamente onde estão, no espaço e no tempo. São famílias que não se deixam seduzir por propostas de construtoras e nem ameaças de despejo e acabam forçando o governo e as empresas a ignorar sua existência, construindo em volta das casas que acabam conhecidas como “nail houses”, ilhas de um passado não tão remoto rodeadas de uma China moderna que, mesmo com uma economia desacelerando, não deixa de investir em infraestrutura.

O boom imobiliário chinês é fortemente incentivado pelo governo. Lá, os políticos locais são promovidos de acordo com o desempenho do PIB. "Não importa se o projeto vai ser habitado ou comprado por investidores de outro lugar, o ganho é feito se ele for construído”, afirmou David Kelly, chefe de pesquisa da consultoria China Policy, para EXAME.com em 2009. Com isso, centenas de famílias são desalojadas para dar espaço aos mega prédios residenciais chineses.

Os moradores das "nail houses" desafiam a lógica. As “casas prego”, em tradução livre, ficaram conhecidas em 2007, quando um casal desafiou uma construtora e não deixou a terra onde vivia há anos. Yang Wu e Wu Ping passaram a morar no meio de um terreno de construção, cercados por um buraco de 10 metros de profundidade na cidade de Chongqing (veja fotos).

Segundo o site Xinhuanet, as “casas prego” são assim conhecidas porque “ficam espetadas e são difíceis de remover, como um prego teimoso”. A resistência rende imagens espantosas:  casas, geralmente simples, cercadas de grandes empreedimentos imobiliários ou estradas que fazem desvios que parecem mentira para não passar por cima das “teimosas casas prego”. 

As histórias tendem a terminar com os donos chegando a um acordo com as construtoras para deixar o terreno. Este foi o caso do casal Yang Wu e Wu Ping, que deixou sua “ilha particular” depois de 3 anos de resistência – Yang Wu chegou a pendurar uma bandeira chinesa na porta de casa.

Mas nem todos têm o mesmo fim. Após um período sem água e energia elétrica, algumas casas foram demolidas ilegalmente - mesmo depois que as construções ao redor foram erguidas. 

Esses chineses que resistem às pressões e pagamentos das construtoras acabam virando celebridades nacionais. Em reportagem publicada em 2007, o China Daily, controlado pelo governo, afirmou que “especialistas acreditam que o fenômeno reflete uma crescente insatisfação entre pessoas comuns a respeito da maneira como as áreas de construção são requisitadas e os prédios demolidos”. 

Tópicos: BRIC, Ásia, China, Cidades, Imóveis, Urbanismo